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Leeloo e Plavalaguna

10 dez

Primeiramente, gostaria de me desculpar pela demora em atualizar o blog. Ultimamente, as circunstâncias não estavam muito favoráveis ao exercício da escrita, a não ser, é claro, quando se tratasse de trabalhos acadêmicos, em relação aos quais não há escolha. Aliás, escolha até há, mas as conseqüências fazem com que a opção negativa deixe de valer à pena. Reprovação não é algo legal. Quem faz faculdade sabe o quão estressante um final de semestre pode ser. Mas, felizmente, estou quase de férias, e poderei dedicar mais atenção ao blog que, segundo o Bruno, estava entregue às moscas (risos).

Não é sobre faculdade, entretanto, que quero falar. Ninguém sabe, mas eu tenho uma lista de temas sobre os quais pretendo discorrer aqui. Eu planejava segui-la, mas lamentavelmente não consegui desenvolver nenhum dos temas que, a priori, tinha vontade. Nem os conselhos de auto-ajuda literários tão bem expostos a partir da obra de Rainer Maria Rilke (leia-o aqui), por meu já citado amigo Bruno Amaral, me deram jeito.

Decidi, então, ignorar provisoriamente a minha lista e escrever sobre um tema aleatório, mas que, obviamente, não fugisse do meu gosto. Ontem acessei minha conta no Facebook e vi que o Beto havia postado um vídeo que seria um interessantíssimo tema para o meu atual post. Compartilho-o agora, com vocês.

Duas coisas me motivam a assistir incansavelmente a reprise do filme O Quinto Elemento (The Fifth Element), de 1997. Primeiro, Milla Jovovich, uma das atrizes mais talentosas, bonitas e radicais cujo trabalho eu tive a felicidade de apreciar. Radical é, sem dúvida, uma das características principais da musa ucraniana, que apesar de ter sido primeiramente notada no filme de romance e aventura datado de 1991, De Volta à Lagoa Azul (Return to the Blue Lagoon), como Lili Hargrave, ficou mundialmente conhecida pelos inúmeros filmes de ação que estrelou (Resident Evil, por exemplo) e continua estrelando até a atualidade.

O segundo motivo é a cena na qual a personagem alienígena azul que canta ópera, Diva Plavalaguna, interpretada pela atriz e produtora francesa Maïwenn Le Besco, entoa a canção Il Dolce Suono, trecho da ópera Lucia Di Lammermoor, do compositor italiano Gaetano Donizeti. Tal canção já foi também material dum trabalho do contra tenor letão Vitas, em parceria com a dupla de violinistas russas Vibracia, ambos temas anteriores de textos do blog.

Na voz da alienígena, a canção começa no ritmo tradicional, calmo, suave. A cena da apresentação é contextualizada com uma invasão da nave por parte de outros ETs malignos que querem roubar as quatros pedras místicas que podem salvar a Terra da destruição – uma das quais se encontra sob a posse da cantora. Ao passo que a canção vai ficando mais trágica, mais trágicos tornam-se também os acontecimentos. A nave torna-se um verdadeiro campo de batalha, no qual Leeloo (Milla Jovovich), sozinha, tenta deter os Mangalores (os aliens do mal). Diva deixa, então, a canção original e passa a emitir seus graves e agudos num ritmo mais animado, pop, para dar vida a outra música, “The Diva Dance Song”. O ritmo serve de plano de fundo para a temporária vitória de Leeloo sobre os vilões. As notas vocais terminam num agudo elevado, seguido dum soco duplo da personagem de Jovovich na face dos malvados e num movimento dinâmico dos braços de Diva (na qual ela os abre, formando uma cruz com o próprio corpo), seguido pelo mesmo movimento de Leeloo.

Os créditos pela perfeita atuação, pelos movimentos harmônicos, pelas dramáticas expressões e pelo êxtase tão bem exprimido pela personagem Plavalaguna são de Maïwenn Le Besco. A voz, porém, não pertence à atriz francesa. Parcela dos aplausos deve ser dedicada à soprano albanesa Inva Mulla Tchako, a voz por trás da gigante azul. Em nível de informação, as notas finais de “The Diva Dance Song” foram computadorizadas, visto que, obviamente, nenhum ser humano seria capaz de emitir notas naquela velocidade (quem sabe, talvez, um alienígena, mas nós ainda não atingimos essa escala da evolução – risos).

O resultado da perfeita combinação entre a interpretação de Maïwenn e da voz de Inva, juntamente com a atuação de Milla Jovovich, vocês conferem no video abaixo.


Bom Proveito!

Vibracia

14 out

Pode ser apenas impressão minha, mas tenho notado que grande parte das cantoras do leste europeu tem uma forte tendência a mesclar sensualidade com música. Alguns vão dizer, sem dúvida, que isso é prática comum e de longa data aqui no ocidente, visto que as cantoras “pop” costumam fazer uso de elementos sensuais, como danças e gestos provocantes, letras com duplo sentido (e às vezes com um único sentido mesmo) e roupas que denotam curvas e formas nitidamente. Porém, verdade seja dita, a cultura pop atual pressupõe tais atributos e elementos sensuais ou sexualmente sugestivos – fato que se evidencia diante da constatação de que algumas cantoras, também do leste europeu, mas que se propõem a cantar pop, também assimilam tais características, como a dupla russa t.A.T.u. e a cantora ucraniana Svetlana Loboda.

É com base nisso que se contrasta uma tênue diferença entre as não referidas cantoras do leste europeu e as divas do pop ocidental. Pra começo de conversa, as leste-européias às quais me refiro não cantam pop (algumas nem cantam, na verdade) e, por isso, não podem usar o tipo musical como justificativa para o estilo performático do qual fazem uso. Em segundo lugar, apesar de darem utilidade à sensualidade (que nós, ocidentais, lhes atribuímos de tal forma que passamos a acreditar ser intrínseca àquele povo), elas não fazem dos seus dotes femininos, como uma pequena – e talvez nem tão pequena assim – parcela das artistas pop internacionais, algo que venha a suprimir o fator principal, ou seja, o talento musical. Esse fato é constatável no trabalho de uma dupla de violinistas russas, pouco conhecidas mundialmente, mas que em seu país de origem lota platéias e é ovacionada. Refiro-me às beldades chamadas Elena Kondrashova-Terentieva e Victoria Shumsky, componentes da dupla Vibracia (Вибрация, em caracteres cirílicos; Vibração, em português).

Apesar da árdua pesquisa que empreendi, foi muito difícil achar qualquer material a respeito da dupla, sobre a origem do grupo, como e quando suas integrantes se conheceram, se têm qualquer graduação no campo musical etc. A única fonte que encontrei foi o site oficial (que, diga-se de passagem, está completamente em russo). Porém, eu o transliterei através da ferramenta de tradução do Google e obtive as escassas informações que, espero, sejam o suficiente para despertar nos leitores curiosidade acerca dessas tão talentosas quanto belas artistas.

À primeira vista, a impressão que se tem é que violinos foram dados a duas modelos de “lingerie”, e estas foram postas num palco, diante de um público imenso, a quem deveriam agradar. Contra todas as expectativas, elas não dançam, não fazem gestos sexualmente sugestivos e parecem pouco preocupadas com qualquer coisa que não diga respeito à extração de perfeitas notas de seus instrumentos. A admiração pelos belos corpos das musas cede espaço ao encanto proveniente da maéstrica execução de seus violinos. Tocam desde baladas eletrônicas a obras de grande complexidade, cuja autoria pertence a compositores clássicos de grande renome – Vivaldi, por exemplo. As conheci, inclusive, através dum trabalho feito em parceria com o contra tenor letão Vitas, – a quem já dediquei um post neste blog – no videoclipe da canção Il Dolce Suono, trecho da ópera Lucia di Lammermoor, do compositor italiano Gaetano Donizetti. Mas, como convencional não é um adjetivo aplicável a essas artistas, tiveram elas a iniciativa de mesclar as composições clássicas e as percussões eletrônicas, ainda que estas últimas não prevalecessem sobre o som das cordas.

Para os admiradores mais conservadores da música clássica, porém, é inadmissível “macular” a perfeição da composição original com sons modernos que nada têm a ver com o classicismo musical. Tal opinião, entretanto, não é compartilhada com aqueles que aplaudem freneticamente as performances da dupla nem com todos que têm a música clássica como trabalho ou hobby. Alguns até elogiam a iniciativa de criar versões modernas para estas composições e a maestria com que unem elementos de espécies tão distintas.

À segunda vista, somos capazes de notar como os violinos parecem funcionar como uma extensão de seus corpos – requisito fundamental para ser considerado um bom musicista segundo os professores de música. Deixamos de enxergá-las como modelos de “lingerie” a quem foram dados violinos e passamos a vê-las como violinistas que foram vestidas como modelos de “underwear” feminina.

Sem mais delongas, apresento-vos abaixo o site oficial seguido de um vídeo da dupla executando um trecho de “As Quatro Estações” (Vivaldi).

– Site Oficial –

* * *

Bom Proveito!

Vitas

28 jul

Vitaliy Vladasovich Grachyov, mais conhecido pela abreviação de seu primeiro nome, Vitas (Витас, em caracteres cirílicos), é um cantor, compositor, ator e design de moda nascido na Letônia. Porém, foi no campo musical, definitivamente, que ele obteve maior destaque e sucesso. Sua música (que vai do pop à ópera), unida a sua performance estonteante, torna-o um artista único, original.

Sua primeira aparição se deu num programa de TV da Rússia com o hit Opera #2, no qual mostrou pela primeira vez seu talento como contra tenor. A partir daí começou a adquirir cada fez mais fama e, até hoje, ele é o artista mais jovem a se apresentar no State Kremlin Palace.

Certamente a maioria de vocês, leitores, jamais ouviu falar dele, ou se ouviu, muito vagamente. Mas garanto-lhes que a pouca fama que o cantor tem por aqui (devido tanto ao desinteresse do povo brasileiro por esse estilo musical, quanto à falta de divulgação de seu trabalho por aqui) é compensada pela quase adoração da qual é alvo em diversos países, onde lota platéias. Rússia, Austrália, Estados Unidos, Canadá, Israel, Alemanha, Cazaquistão, Lituânia, Letônia, Estônia, Geórgia, Tadjiquistão, Ucrânia, Belarus, Japão, Coréia e China são os países pelos quais Vitas já passou e, em todos eles, foi muito bem recebido.

Quando falo “quase adoração”, não estou exagerando. O escultor chinês Yuefei LU, da Academia de Arte Guangzhou, fez uma escultura em tamanho família do cantor, em sua performance no videoclip do seu primeiro single Opera #2. Vai ver que é por ações como esta que o cantor de apenas 31 anos (nascido ao dia 19 de fevereiro de 1979) se auto-representa em alguns de seus trabalhos como um deus ou como um guru abençoado – para entender o que digo, assistam aos vídeos das canções Opera #1 e Blessed Guru.

Em 2006, junto com as mui belas e talentosas violinistas Elena Kondrashova-Terentieva e Victoria Shumsky, integrantes da dupla Vibracia (a quem dedicarei um post futuramente), Vitas lançou o clipe Il Dolce Suono, trecho da ópera “Lucia Di Lammermoor”, do compositor italiano Gaetano Donizetti. Neste vídeo, o cantor faz jus à fama de “Voz de Diamante” e mostra que, além de ter muito talento no campo musical, também sabe atuar divinamente. Sem contar que os efeitos especiais do clipe são muito bem trabalhados, o que torna o vídeo um deleite não só auditivo, mas também visual.

Vitas é um artista promissor e um cantor que, em pouco tempo, adquiriu sucesso a nível mundial devido a sua excentricidade e talento. Ainda há muitos lugares nos quais ele jamais esteve, mas diante do fato de que a pouca popularidade dos artistas do leste-europeu por essas bandas está deixando de ser tão pouca assim (agradeça a globalização), vamos torcer para que a voz de diamante nos alcance o mais breve possível. Como diz a frase no layout do site oficial do cantor: “Vitas, artist you have been waiting for.

Para não perder a prática, alguns links utéis:

Site Oficial . Biografia (Inglês) . Biografia (Português) . Fã-Site Americano . MySpace . Comunidade (Orkut) . Grupo (Facebook)

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Bom Proveito!

P.S Qualquer suspeita de etnocentrismo é mera impressão.