Arquivo | Indie Rock RSS feed for this section

I like Lykke Li

30 abr

Dois acontecimentos fizeram essa semana valer à pena, um deles eu não posso contar, o outro, eu faço questão de dizer. Descobri uma artista incrível! (Incrível! – com exclamação). Eu a descobri assistindo Glee, onde a personagem Tina apresenta sua versão de “I Follow Rivers”. Ao ouvir essa música eu imediatamente me senti impelido a pesquisar sobre a cantora, e descobri que ela é sueca e se chama Li Lykke Timotej Zachrisson (ou simplesmente Lykke Li). No seriado acima citado, a personagem que interpreta a canção da sueca diz que ela era uma mistura de Björk e Florence and the Machine. Eu concordo, apesar de me sentir tentado a dizer que Timotej, ao assimilar o melhor das duas cantoras (involuntária e inconscientemente, eu suponho), torna-se melhor que as duas. Mas não vou afirmar isso, menos por medo dos impropérios que ouviria dos fãs daquelas, que por também gostar muito delas. Cada uma (incluindo Lykke) é boa dum modo diferente, com seus talentos, suas peculiaridades e suas excentricidades.

A garota de 25 anos (nascida em 86) opera uma mistura de pop, rock, indie e electro, segundo a Wikipédia, mas acredito que estes estilos não descrevem a totalidade de experiências sensoriais que experimenta aquele que dedica 43 minutos de seu tempo para ouvir Wounded Rhymes, o último álbum de Li, datado deste ano. Da primeira à última faixa, eu aprecio, de fato, todos os estilos descritos na grande enciclopédia, mas também muitos outros, cuja impressão certamente variaria de pessoa pra pessoa. Como exemplo, eu posso dizer que ao ouvir a faixa 3, Love Out of Lust, eu senti uma tênue semelhança com a banda islandesa Sigur Rós, que, apesar de pertencer ao gênero pop e rock, tem-lhe associada espécies destes dois gêneros que não se aplicam a cantora. Noutras faixas, eu experimento uma sonoridade épica, com coros agitados e backing vocals dinâmicos.

Enfim, Lykke consegue misturar diversos estilos magistralmente, e, na minha humilde opinião, são poucos os artistas capazes de tal feito. Eu tenho a impressão de que o fato dela ter vivido na Suécia, Portugal, Marrocos, Nepal, Índia e Nova Iorque a possibilitou vivenciar diversas culturas e estilos musicais, o que lhe permitiu transpor a experiência para a dimensão musical e criar esse som único, que não parece pertencente a lugar nenhum, mas a todo o mundo.

Deixando de falar das minhas experiências, deixo abaixo links para quem quiser conhecer esse cúmulo de talento e o vídeo da minha música favorita (que, por sinal, tem fortes pitadas de simbolismo), para que tenham as próprias impressões, e tirem as próprias conclusões.

Site Oficial . Biografia (Português) . Biografia (Inglês) . Facebook (Página) . MySpace . Orkut (Comunidade)

* * *

“You’re my river running high, run deep, run wild…

* * *

Bom Proveito!

It fills my head up and gets louder and louder…

15 ago

Não há frase que melhor descreva o sentimento de preenchimento que me ocorre ao ouvir Florence Welch entoar suas peculiares canções na compainha dos talentosos músicos que com ela formam a denominação Florence and the Machine (ou Florence + the Machine). Aliás, peculiaridade é um substantivo que se associa perfeitamente com a cantora. Não apenas pela radiante cor ruiva dos seus cabelos ou por seus profundos olhos azuis, muito menos pelas roupas pouco convencionais (apesar da bem sucedida intenção de exprimir idéias e emoções também estilisticamente) ou por seus videoclipes ao mesmo tempo românticos e surreais. Mas antes de tudo pelos fatores que musicalmente nos interessam, o principal: sua voz e suas canções.

Pra mim é realmente difícil representar em palavras a magnificência que é a voz dessa britânica de quase 24 anos de idade e cujo nome completo, Florence Leontine Mary Welch, soa intencionalmente poético – suposição advinda do fato de que sua mãe é uma estudiosa do Renascimento e professora acadêmica e seu pai um escritor. O resultado do que começa em seus pulmões (e que fique claro que essa palavra se faz constantemente presente em suas canções, seja homônima, sinônima, parônima ou derivadamente, bem como é este o próprio nome de seu álbum) e é expresso audivelmente na forma de suaves notas vocais, certamente supera em beleza os acordes da lira do mitológico Orfeu ou a capacidade hipnotizante exercida pelas notas do não menos mitológico Flautista de Hamelin. Sua voz suave adequa-se divinamente ao tipo musical que se propõe a cantar. E isso nos leva ao segundo fator, suas canções. Em ambos os elementos, – letra e ritmo – suas músicas são indescritivelmente belas e dum extremo bom gosto.

Verdade seja dita, Florence é uma das poucas artistas que conseguem falar de amor ou de dependência emocional e sentimental sem parecer piegas. Há, em seu trabalho, as medidas certas de desejo e desapego, do raro e do ordinário. É ao mesmo tempo cristão e pagão, elementos que se abraçam e que se repelem ritmicamente para formar o som característico que lhe conferiu premiações no 2009 BRIT Awards, no Studio8 Media International Music Award, no UK Festival Awards 2009, no South Bank Show, no 2010 BRIT Awards, no Meteor Ireland Music Award e no Elle Style Awards. Porém esses são apenas os eventos nos quais foi premiada. Se eu fosse citar todas as premiações para as quais foi indicada, a lista seria muito maior, não se esquecendo que falamos duma artista que tem apenas pouco mais de um ano de estrada.

Apesar de não ser tão popular aqui quanto na Europa (como a maioria dos artistas a quem dedico escritos neste blog), Florence certamente usufrui dum certo status entre os admiradores da boa música, e para o relativo pouco tempo neste ramo (seu primeiro álbum – o qual ainda não foi sucedido – data de julho de 2009), ela tem um grande número de fãs. Sem contar que algumas seletas emissoras de rádio brasileiras tocam sua música. Basta dar uma olhada no número de usuários presente em sua maior comunidade brasileira no orkut e saberão do que estou falando.

Eu acompanho a trajetória da londrina e seu grupo praticamente desde o início. A conheci por puro acaso (o que não é raro) quando assistia no YouTube a um vídeo cujo conteúdo não me rememoro. Na parte superior direita havia um pequeno anúncio do lançamento de seu primeiro álbum. Como sou muito suscetível a influências visuais, fui atraído pela imagem duma mulher radiantemente ruiva, com uma expressão ao mesmo tempo soturna e convidativa, e com as palmas das mãos voltadas para cima, ao lado de seu rosto, cobertas com pedaços dum material dourado o qual eu não consegui identificar. O deleite visual só foi superado pelo auditivo, tão logo passei a assistir ao videoclipe de seu primeiro single, Dog Days Are Over. Depois deste veio o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto e finalmente o sexto e ultimo single do álbum em questão foi lançado em meados de 2010.

Antes de me despedir, gostaria de dizer que para escolher o vídeo com o qual finalizarei este texto, tive extrema dificuldade, em vista do fato de que os graus de preferência que tenho por cada música não necessariamente correspondem aos graus de preferência que tenho pelos vídeos. Mas depois de pensar um pouco, resolvi optar pelo meu vídeo favorito, pois neste o sotaque britânico demonstra-se mais evidente e os paradoxos (cristão e pagão, por exemplo) encontram-se mais visíveis, além do fato de que toda a produção conta com uma dança maestricamente executada por Florence e por suas acompanhantes. Não deixem de reparar nos detalhes.

Ah, e antes que me esqueça, para não perder a prática, alguns links úteis.

Site Oficial . Biografia (Inglês) . Biografia (Português) . MySpace . Comunidade (Orkut) . Grupo (Facebook)


Bom Proveito!

P.S O título do texto é um trecho extraído da mesma música cantada no vídeo acima. A tradução é: “Preenche minha cabeça e vai ficando cada vez mais alto”.