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The Man-Eater

21 jun

Lembro-me como se fosse ontem. Havia um fliperama aqui na rua dum senhor muito afável chamado Seu Agnaldo. Eu era muito pequeno e por isso meus pais não me deixavam freqüentar o lugar ou jogar os “arcades” violentos que atraíam meninos de todos os cantos. Mas eu e meu irmão, ainda que não pudéssemos jogar, ficávamos na janela observando os outros fazerem o que não podíamos. E um dos jogos mais requisitados e o que eu mais gostava era o na época recém lançando “Ultimate Mortal Kombat 3”. Apenas observando eu pude memorizar os personagens e associar-lhes os devidos nomes, sabia as técnicas de cada um, e já tinha na cabeça todos os “fatalities, babalities, brutalities, frienships e animalities” (não que eu soubesse, caso me fosse permitido tocar naqueles botões, operar todos esses golpes e técnicas;  o que eu sabia era dizer a quem pertencia todas e cada uma delas).

Esse pequeno parágrafo serve como introdução ao tema do post. Recentemente foi lançado a nova versão do game sobre o qual discorro, Mortal Kombat 9. Seria impossível descrever a emoção que senti ao ver a magnífica produção, os gráficos de última geração, os mesmos personagens das versões antigas em seus novos costumes, com novas feições, novas vozes, mesmas técnicas, porém otimizadas pela tecnologia da atualidade, além de serem dotados de personalidades que se assemelham com mais fidelidade aos da história original.

Como exemplo, uma das minhas personagens preferidas, o clone maléfico da Princesa Kitana, Mileena, que é uma mistura das raças “edenian” e “tarkatan”. Da Alteza, Mileena herdou todos os atributos estéticos, formando um todo belo, cuja uniformidade só era violada por um pequeno detalhe. Do nariz ao queixo, havia prevalecido o gene “tarkatan”, que lhe dava presas afiadas, uma mandíbula poderosa e um nariz animalesco, conjunto que ela escondia com uma máscara que era obrigada a usar desde pequena. Tal fato causava-lhe um ódio mortal pela “irmã”, que não precisava se submeter à mesma condição, por ter um rosto imaculadamente perfeito. Como se isso não bastasse, Mileena tentava de todas as formas adquirir maior afeto de Shao Kahn, o pai adotivo de ambas, que, mesmo não desgostando dela, despendia mais favores à outra.

Além da deformidade, o clone da Princesa tinha que lidar com um feroz instinto carnívoro. Não a toa foi lhe dado o epíteto “the man-eater” (a devoradora de homens). Em todos os filmes e games, apesar de aparentar menos racionalidade que a irmã, ela era representada como uma humana (na verdade, como uma “edenian”, raça fisiologicamente idêntica à humana, com maior força e longevidade, porém), com todos os instintos controlados. Nesta versão, ao contrário, Mileena não controla os próprios instintos. É ao mesmo tempo a bela e a fera, submetendo-se unicamente aos ditames de Shao Kahn, pelos motivos acima expostos.

Enfim, assistam aos vídeos do game e, se tiverem a oportunidade, joguem-no. Como diz a própria Mileena, “Let us dance!

 Site Oficial (MK 9) . Mileena’s Page

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Bom Proveito!