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A Liberdade da Kaze Tsukai

9 mar

Eu mal comecei a assistir os episódios finais de InuYasha (distintos do anime tradicional e apresentados sob o nome “InuYasha Kanketsu-hen”) e minhas glândulas lacrimais estão quase fazendo greve sob alegação de exploração. Como já era de se esperar, na reta final do anime, vários personagens encontram seu fim e, via de regra, os momentos finais são cercados por drama e lágrimas.

Se você ainda não assistiu estes episódios eu aconselho a não continuar a leitura, pois eu tratarei de fatos cruciais para o desenrolar da trama, e saber de antemão o que irá acontecer acabará por tirar a encantadora capa que nos prende e nos emociona a cada episódio deste anime.

Quem acompanhou o anime desde o começo conhece Kagura, a Kaze Tsukai (Feiticeira dos Ventos). Trata-se de uma das crias do odioso vilão Naraku, uma personagem antagônica que odeia seu progenitor e que anseia, mais do que qualquer coisa, a liberdade.

Tal anseio constitui-se numa contradição, pois Kagura é a encarnação do próprio vento, e o vento sopra, corre, é livre. Ainda assim, não se pode dizer o mesmo da feiticeira, que vive sob o controle do já referido vilão. Não pode nem mesmo se dar ao luxo de tentar fugir, pois seu coração encontra-se sob a posse de seu criador e, caso ele destrua-o, extingue-se sua existência.

O ódio por Naraku e o desejo pela liberdade a levam a traí-lo. Em várias ocasiões, ela agiu por conta própria e conspirou para que seu “dono” fosse derrotado e sua liberdade alcançada, sendo severamente punida. Chegou até mesmo a pedir ajuda a Sesshoumaru, um dos personagens mais fortes e cuja força é proporcional à falta de modéstia. Sendo rejeitada por ele, passou a cultivar uma relação de amor e ódio cuja correspondência só obteve no momento do adeus.

Consideravelmente forte e dispondo de técnicas e habilidades peculiares e destrutivas – como a “Ryuuja no Mai (Dança do Dragão), – criação de vários tornados – Fuujin no Mai (Dança das Lâminas de Vento) e Shikabane Mai (Dança dos Cadáveres) – com o qual é capaz de controlar os mortos – a Kaze Tsukai causou sérios problemas e dores de cabeça aos heróis principais, tornando-se tão odiosa quanto o próprio Naraku. Mas a divergência de interesses em relação a este acabou por fazê-la tomar atitudes favoráveis aos “mocinhos” e tornar-se bem vista aos olhos deles ao ponto de oferecem ajuda e proteção contra o arquiinimigo – ofertas recusadas por ela e que acabaram por resultar em sua morte.

Aqui começa o drama de fato. Novamente reitero o aviso de que você, leitor, não deve seguir adiante se ainda não assistiu o anime e tem tal interesse, sob conseqüência de não poder desfrutar o prazer dos fatos inéditos e a emoção da morte inesperada.

Como já foi dito, em seus momentos finais, Kagura acaba por ajudar semi-intencionalmente InuYasha e cia. Sua traição já era do conhecimento de Naraku e já reinava o clima de apreensão e da retaliação iminente. Finalmente ocorre o derradeiro encontro entre o criador e a criatura. Naraku diz que lhe dará seu coração e a liberdade que tanto almeja. Kagura mantém-se apreensiva e desconfia das intenções do progenitor, mas este, como dissera, devolve o coração da feticeira e, consequentemente, restitui-lhe a liberdade.

Mal teve tempo, porém, de usufruir do seu ansiado “kokoro”¹. Imediatamente após a restituição, Naraku a fere gravemente, perfurando-a com suas presas e espalhando pelo seu corpo um miasma mortal. A feiticeira foge da presença de seu algoz e este, em sua cabeça, reproduzia os seguintes pensamentos:

“Agora vá para onde quiser.
Aproveite bastante o curto tempo de vida que lhe resta.
Apesar de que, tudo que sentirá será dor e desespero.
Kagura, essa era a liberdade que você almejava”.

Poucos minutos depois, distante dali, num pacífico e remoto campo florido, a Kaze Tsukai lutava para não perder a consciência e sucumbir, nutrindo, ainda, a esperança de sobreviver:

“Eu posso me recuperar dessas feridas em uma dia…”

Ofegante e com um leve sorriso no rosto abatido, expressa seu contentamento:

“Meu coração está batendo…
Eu posso ir para qualquer lugar.
Eu sou livre”.
*

Mas momentos depois, ela finalmente se dá conta de que não sobreviverá:

“Droga!
Meu corpo não me obedece…
Minhas feridas vão se abrir novamente.
Eu não tenho poder sobrando para me curar”.

Longe dali, Sesshoumaru, o mesmo que diversas vezes havia negado ajuda à feiticeira, sente o cheiro de seu sangue, enquanto lutava contra Moryomaru. Seu adversário também se dá conta da iminente morte de Kagura, e profere as seguintes palavras:

“Aquela mulher estúpida está morrendo?
Depois de trair o Naraku e me trair por uma coisa tão trivial chamada liberdade…
Ela morreu daquele jeito patético.
Uma morte totalmente em vão”.
*

Sesshoumaru inflama-se, denotando, pela primeira vez, sentimentos em relação a mulher e, diante do comentário de seu adversário, ataca-o com toda força, não matando-o, mas o fazendo recuar. O “dai-youkai” vai, então, ao encontro da Kaze Tsukai. Antes de sua chegada, Kagura experimentava, pela primeira vez, um sentimento de auto-piedade e tristeza maiores do que os que decorriam de seu anseio pela liberdade:

“Está tão quieto…
Não tem ninguém.
Eu vou acabar aqui?
Sozinha…
Essa é a liberdade que eu almejei…”


Lá chegando, Sesshoumaru é recebido com uma expressão de surpresa pela moribunda. O diálogo é reproduzido logo abaixo:

[Kagura]

Sesshoumaru…

[Sesshoumaru]

Eu segui o cheiro do sangue e do miasma…

[Kagura]

Entendo, você pensou que era o Naraku.
Está desapontado de não ter sido o Naraku?

[Sesshoumaru]

Eu sabia que era você.

[Kagura]

Mesmo sabendo…
você veio?

[Sesshoumaru]

A Tenseiga² não pode salvá-la. (Pensamento)
Você está indo?

[Kagura]

Sim…
Já está bom.
No fim…
Eu pude te ver.

Kagura, com um sereno sorriso no rosto, é consumida pelo miasma e se esvai em pétalas e plumas, em frente a Sesshoumaru, que não demonstrava, ao menos facialmente, qualquer alteração sentimental. Neste momento, InuYasha, Kagome e os outros chegam ao local, também atraídos pelo cheiro de Kagura, com a intenção de salvá-la. Tarde demais. InuYasha, ainda, interroga, Sesshoumaru:

[InuYasha]

Espere, Sesshoumaru!

[Kagome]

InuYasha…

[InuYasha]

A Kagura!
Ela estava sofrendo?

[Sesshoumaru]

Ela estava sorrindo.

Alguns episódios adiante, sua irmã, Kanna, encontra seu leque no mesmo campo florido em que morreu e, com sua voz fria, triste e submissa, profere, antes de entregar o objeto ao lago, as seguintes palavras:

“Kagura, você se tornou o vento?
Você conseguiu sua liberdade?
Eu…
Eu não…
Eu não tenho nada…”

***

As últimas palavras de Kagura, a Kaze Tsukai:

“Eu sou o vento. Eu sou o livre vento”.


¹ Kokoro: Coração
² Tenseiga: Katana dada a Sesshoumaru por seu falecido pai,
Inu no Taishou, que tem a capacidade de ressuscitar os mortos.

***


Música, Anime e Mitologia

17 jan

Animação ao estilo japonês e mitologia, duas coisas das quais eu gosto muitíssimo. Só algo de bom poderia resultar da combinação entre esses dois elementos. Se você assistia desenhos animados na década de 90 (independente da sua idade), provavelmente deve saber do que eu estou falando. Caso não saiba ou não se lembre, eu vou refrescar a sua memória:

♪♫♪♫

Pégasus, ajuda o teu cavaleiro.
Gelo, dragão e os guerreiros.
Cavaleiros do zodíaco.

Fênix, guia pro bem seu guerreiro.
Andrômeda e o seu cavaleiro.
Cavaleiros do zodíaco.

♪♫♪♫

Lembrou? Ótimo! Então continuemos.

Apesar de não me considerar um otaku, gosto muito de animes. E Cavaleiros do Zodíaco é, sem dúvida, um dos meus favoritos. Eu acompanho a história desde que o desenho era exibido através da péssima recepção de imagem da extinta TV Manchete. Mas não é sobre esta versão do desenho que me proponho a falar.

Se a união entre animação japonesa e mitologia resulta nas fabulosas produções de Masami Kurumada, o que obteríamos se a isso se acrescesse belíssimas composições clássicas? Os fãs mais assíduos do anime já devem ter desvendado o mistério. Refiro-me a uma das versões mais recentes da história dos Cavaleiros de Atena, intitulada “Saint Seiya: The Lost Canvas – Hades Mithology”. Não é só no nome que a história se diferencia. Os episódios narram a penúltima guerra santa entre Hades e Atena, ocorrida no século XVIII, e com personagens diferentes (obviamente) – apesar de serem caracteristicamente muito parecidos com os originais, em vista da pretensão de Kurumada em reforçar o princípio da reencarnação. Por conta de novos recursos tecnológicos, os traços são mais detalhados e realistas – que fique claro, porém, que não é ao idealizador original do anime que devemos a autoria desta versão. Os créditos pertencem a Shiori Teshirogi (isso mesmo, uma mulher).

Quero me concentrar, entretanto, apenas no que diz respeito à trilha sonora do anime, assinada por Kaoru Wada. O fator musical foi, sem dúvida, um dos elementos que mais me atraiu a essa nova versão. A cada personagem e espaço-tempo associa-se uma diferente composição, que, a meu ver, parece combinar perfeitamente com seu objeto. Pouquíssimas são as canções cantadas, mais especificamente, apenas três (a música de abertura – The Realm of Athena, a música de encerramento – Hana no Kusari, e a faixa de número 29 – Death Messenger). O restante conta unicamente com sons característicos de uma orquestra ou de um coral, dignos de qualquer grande compositor ou trilha de produção cinematográfica.

Talvez o fato de a maioria das faixas contar com a utilização do meu instrumento musical favorito, o violino (nada mais comum, em vista do fato de se tratarem de composições clássicas), tenha despertado em mim maior interesse. Mas o fator principal ao qual se deve a qualidade desta produção é o modo como foram combinados bem sucedidamente elementos que em certa dimensão se assemelham e em outra se distinguem. Isso já é característica constatada em Cavaleiros do Zodíaco. Mas em nível musical, de que forma isso se materializa?

Bem, além de animação ao estilo japonês, mitologia e composições clássicas, contra todas as expectativas, há algo mais que torna o anime tão magnífico – a presença de elementos góticos. Os elementos religiosos e sombrios se fazem presentes do começo ao fim, tanto arquitetonicamente falando (os domínios terrestres de Hades, por exemplo), quanto estilisticamente, – Pandora (foto) que o diga – ou, ainda, o que mais nos interessa, musicalmente. Óbvio que isso se deve ao enredo da trama, que se trata duma batalha contra o Imperador do Submundo. Assim como Dante Alighieri, em sua Divina Comédia, mesclou os elementos clássicos pagãos aos cristãos, em The Lost Canvas, o mesmo ocorre. Por isso as mitologias grega e cristã se entrelaçam a todo tempo.

Como todo mundo sabe (ou ao menos deveria saber), o estilo gótico é predominantemente cristão. Depois de algum tempo foi-lhe acrescida essa conotação satânica, tão explorada pelas atuais bandas de heavy metal e hardcore, sem que, de qualquer forma, perdesse sua essência melancólica, pessimista e sobrenatural. Mas o elemento musical gótico que marca presença na produção japonesa nada tem a ver com esses arranjos pesados de rock ou com adoração demoníaca. Refiro-me pura e simplesmente às composições clássicas de raízes medievais que atingiram sua maturidade na Idade Moderna, como o canto a capela (cantochão) e o canto gregoriano, obras transbordantes de religiosidade.

Enfim, Saint Seiya: The Lost Canvas é uma fonte ilimitada de referências histórico-artísticas e mitológicas. É um manifesto ao bom gosto. Emocionante, dramático, trágico, vivaz, romântico, agitado, tétrico e tudo mais que lhe puder ser proporcionado por essa magnífica produção. Aos que quiserem assistir, aconselho prestar especial atenção às músicas. Contemplar traços bem delineados, movimentos realistas e uma trama envolvente torna-se muito mais agradável com uma bela e harmônica consecução de notas ao fundo.

Aos interessados, alguns links úteis, dentre os quais encontram-se disponibilizados a trilha sonora e os episódios para download, além dum breve vídeo de apresentação.

Ficha Técnica . Episódios (Download)* . Trilha Sonora (Download)**

* * *

Bom Proveito!

*Os episódios não foram disponibilizados por mim, muito menos faço eu parte da organização do website que disponibiliza o anime para download. Dei-me ao trabalho pura e simplesmente de divulgar aqui o local que me foi indicado pela maioria das pesquisas.

**Assim como os episódios acima descritos, não é de minha responsabilidade o link disponibilizado para download da trilha sonora original do anime. O link foi disponibilizado pelo website brasileiro “Portal Saint Seiya“, na categoria “Trilhas Sonoras“, páginas também indicadas por buscas virtuais.

A Cowboy Needs a Horse

24 out

Quem não se lembra dos desenhos mais antigos da Disney Records que marcaram a infância de tantos que hoje já são adultos, pais e mães? Os episódios de Mickey e Donald eram e ainda são exibidos no Brasil por uma ou outra emissora desde a década de 60. Quem não presenciou um dos acessos de ira do Pato Donald ou uma das maluquices do Pateta e as confusões nas quais o Mickey, junto com seu inseparável cão, Pluto, se metiam?

Nos anos 90, período de minha infância, eu me gabo de ter assistido todos os episódios exibidos na TV, os quais eu suspeito datarem da década de 50 e posteriores (apesar da ótima qualidade de som e imagem) – fato que abstraio das vestes dos personagens figurantes, dos padrões arquitetônicos das casas, do formato do televisor etc.

Dentre todos os episódios exibidos, porém, alguns deles não eram estrelados pelos personagens habituais. Havia uma produção que eu muito gosto, na qual pus os olhos pela primeira vez lá pelos meus 4 ou 5 anos de  idade e que só muito recentemente tive a felicidade de encontrar na rede. Data do ano de 1956 (nem minha mãe era nascida ainda). Provavelmente as crianças de hoje não apreciariam nem dariam muita atenção à história do menino Johnny, que vivia numa grande cidade e toda noite sonhava que era um cowboy benfeitor.

A animação chama-se “A Cowboy Needs a Horse” (Um Cowboy Precisa de um Cavalo) e os créditos pela direção do “cartoon” pertencem a Bill Justice, que soube combinar perfeitamente os elementos componentes, de modo a formar essa obra única que remete à certa melancolia, nos cria um repentino desejo de aventuras não vividas e saudades dos inocentes anos iniciais de nossas vidas.

Cada parte é imprescindível para a perfeição do todo. Os traços tão característicos do estilo da época, as cores, as formas e até os brinquedos espalhados pelo chão do quarto do menino evocam em nós certo efeito nostálgico. Mas nenhum componente, nenhum elemento, nenhuma parte supera em nostalgia a música, a canção homônima de autoria de Paul Mason Howard e Billy Mills, tão “old-fashioned”, com as vozes em uníssono e sonoridade que nos parece advinda de um disco de vinil executado em uma daquelas antigas vitrolas. Lembra mesmo uma canção de ninar, mas a do tipo que você faz questão de ficar acordado para ouvir até o fim.

Tudo isso exposto, imaginem a emoção quando finalmente encontro algo que tenho procurado há anos. Eu não cheguei a pular de alegria, mas fiquei bastante inquieto. Repeti inúmeras vezes o capítulo e o mostrei para alguns familiares que, não surpreendentemente, também se lembravam nitidamente do episódio.

O desenho foi compilado em várias coletâneas, dentre as quais estão “Cartoon Classics: First Series (Volume 12) – Disney’s Tall Tales”; o LD lançado no Japão, “Donald Duck Goes West”; nos Estados Unidos, dois DVDs, “Disney Treasures: Disney Raritiers – Celebrated Shorts, 1920s-1960s” e “It’s a Small World of Fun: Volume 1”. Foi ainda lançado junto com uma série de vídeos musicais da Disney, em março de 1987, sob o título “Disney Sing Along Songs: Heigh-Ho”.

Sem mais delongas, deixarei que os leitores assistam e tirem suas próprias conclusões. Disponibilizarei também a ficha técnica e a letra da  canção.

Bom Proveito!

– Ficha Técnica

***

 

A Cowboy Needs a Horse

Ridin’, ridin’ along…

Oh, a cowboy needs a horse, needs a horse, needs a horse
And he’s gotta have a rope, have a rope, have a rope
And he oughta’ have a song, have a song, have a song
If he wants to keep ridin’

Now a cowboy needs a hat, needs a hat, needs a hat
And a pair of fancy boots, fancy boots, fancy boots
And a set of shiny spurs, shiny spurs, shiny spurs
If he wants to keep ridin’

Oh, the fence is long, and the sun is hot
And the good Lord knows that a cowboy’s gotta keep
Ridin’, ridin’ along

So he gets himself a horse, and a rope, and a song
And he finds himself a hat, fancy boots, shiny spurs
And there’s nothing more he needs, or can have, or can get
If he wants to keep ridin’, ridin’ along

Spurs, shiny spurs
Boots, fancy boots
Sings a western song
Ro-oh-oh-ope
And a horse
If he wants to keep ridin’, ridin’ along…

ve a rope, have a rope, have a rope 

And he oughta’ have a song, have a song, have a song

If he wants to keep ridin’

 

Now a cowboy needs a hat, needs a hat, needs a hat

And a pair of fancy boots, fancy boots, fancy boots

And a set of shiny spurs, shiny spurs, shiny spurs

If he wants to keep ridin’

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Oh, the fence is long, and the sun is hot

And the good Lord knows that a cowboy’s gotta keep

Ridin’, ridin’ along

 

So he gets himself a horse, and a rope, and a song

And he finds himself a hat, fancy boots, shiny spurs

And there’s nothing more he needs, or can have, or can get

If he wants to keep ridin’, ridin’ along

 

Spurs, shiny spurs

Boots, fancy boots

Sings a western song

Ro-oh-oh-ope

And a horse

If he wants to keep ridin’, ridin’ along…