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Guðmundsdóttir

26 jul

Talvez uma das maiores batalhas entre gostar e não gostar que já travei diz respeito a esse cúmulo de subjetividade de nome estranho, conhecida por Björk. Desde pequeno que ouço-lhe o nome, mas só bem grandinho ouvi sua voz. A vocalista da minha banda favorita, Amy Lee (Evanescence), a tem como uma de suas inspirações. Bastaria isso para que eu me interessasse pela islandesa, mas contra as minhas expectativas, não foi suficiente. Serviu para que eu procurasse os albuns e os ouvisse, mas não para gostar de imediato. O que não quer dizer que eu não gostei/gostasse/gosto. Simplesmente, não dá pra aprovar ou reprovar tão facilmente. Björk é como um daqueles estudantes que se candidatam a vagas em conservatórios e que, durante a audição, de tal forma choca os jurados que eles não podem, naquele exato momento, dar um veredicto.

Ao longo desses anos eu venho ouvindo as canções. Em alguns momentos me preenchem, em outros não atravessam a barreira do momentâneo desinteresse. Só muito recentemente, pensando com meus botões, vislumbrei o que a ela me prendia e porque a incomprensão desse motivo me impedia de não gostar.

Björk Guðmundsdóttir, sim, é uma verdadeira poetisa. Não pelo sobrenome difícil de pronunciar (eu mesmo não sei), mas porque os poetas de verdade escrevem pra si próprios, satisfazem-se consigo próprios. Daí a razão pela qual ela não se preocupa (ou se se preocupa, muito pouco) com o que dizem ou com o que pensam dela ou do vestido de cisne com o qual ela compareceu a cerimônia do Oscar.

A poesia dela, não se limitando à escrita, é composta pelo todo excêntrico, pelas vestimentas, maquiagens e penteados; pela ousadia (positivamente falando) de ser somente o que deseja. Björk é isso, puro desejo, puro Eros, pulso e impulso. É por isso que me encontro preso, atado, sob encanto da feiticeira que inconscientemente atrai legiões de fãs, do mesmo modo que o flautista de Hamelin.

Eu, que, como todo ser vivo, busco o que me falta, sucumbo orgulhosa e prazerosamente, vencido pelo gostar. Eu, que peco por ser excessivamente racional (ao menos é o que dizem, mas eu tenho lá minhas dúvidas), preciso de toda poesia, subjetividade e desavergonhada (no bom sentido) emoção que emana da artista. Arte! É isso. Essa é a palavra que ela pode usar, sem medo ou timidez, para descrever o que faz, porque não é só música ou vestuário, é um metódo perfeito de sedução espiritual (se me permitem o uso da palavra). Eu, que quero aprender a sentir antes de pensar, reconheço o poder da semente que brotou nas gélidas terras do Norte da Europa e me ajoelho, voluntariamente, diante de seu talento.

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Aos interessados, links úteis e um dos vídeos mais antigos (meu preferido):

Site Oficial . Álbuns (Download)*

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* O link para download dos albuns não é de minha autoria. Foi encontrado através de ferramentas de busca e pesquisa.