Vibracia

14 out

Pode ser apenas impressão minha, mas tenho notado que grande parte das cantoras do leste europeu tem uma forte tendência a mesclar sensualidade com música. Alguns vão dizer, sem dúvida, que isso é prática comum e de longa data aqui no ocidente, visto que as cantoras “pop” costumam fazer uso de elementos sensuais, como danças e gestos provocantes, letras com duplo sentido (e às vezes com um único sentido mesmo) e roupas que denotam curvas e formas nitidamente. Porém, verdade seja dita, a cultura pop atual pressupõe tais atributos e elementos sensuais ou sexualmente sugestivos – fato que se evidencia diante da constatação de que algumas cantoras, também do leste europeu, mas que se propõem a cantar pop, também assimilam tais características, como a dupla russa t.A.T.u. e a cantora ucraniana Svetlana Loboda.

É com base nisso que se contrasta uma tênue diferença entre as não referidas cantoras do leste europeu e as divas do pop ocidental. Pra começo de conversa, as leste-européias às quais me refiro não cantam pop (algumas nem cantam, na verdade) e, por isso, não podem usar o tipo musical como justificativa para o estilo performático do qual fazem uso. Em segundo lugar, apesar de darem utilidade à sensualidade (que nós, ocidentais, lhes atribuímos de tal forma que passamos a acreditar ser intrínseca àquele povo), elas não fazem dos seus dotes femininos, como uma pequena – e talvez nem tão pequena assim – parcela das artistas pop internacionais, algo que venha a suprimir o fator principal, ou seja, o talento musical. Esse fato é constatável no trabalho de uma dupla de violinistas russas, pouco conhecidas mundialmente, mas que em seu país de origem lota platéias e é ovacionada. Refiro-me às beldades chamadas Elena Kondrashova-Terentieva e Victoria Shumsky, componentes da dupla Vibracia (Вибрация, em caracteres cirílicos; Vibração, em português).

Apesar da árdua pesquisa que empreendi, foi muito difícil achar qualquer material a respeito da dupla, sobre a origem do grupo, como e quando suas integrantes se conheceram, se têm qualquer graduação no campo musical etc. A única fonte que encontrei foi o site oficial (que, diga-se de passagem, está completamente em russo). Porém, eu o transliterei através da ferramenta de tradução do Google e obtive as escassas informações que, espero, sejam o suficiente para despertar nos leitores curiosidade acerca dessas tão talentosas quanto belas artistas.

À primeira vista, a impressão que se tem é que violinos foram dados a duas modelos de “lingerie”, e estas foram postas num palco, diante de um público imenso, a quem deveriam agradar. Contra todas as expectativas, elas não dançam, não fazem gestos sexualmente sugestivos e parecem pouco preocupadas com qualquer coisa que não diga respeito à extração de perfeitas notas de seus instrumentos. A admiração pelos belos corpos das musas cede espaço ao encanto proveniente da maéstrica execução de seus violinos. Tocam desde baladas eletrônicas a obras de grande complexidade, cuja autoria pertence a compositores clássicos de grande renome – Vivaldi, por exemplo. As conheci, inclusive, através dum trabalho feito em parceria com o contra tenor letão Vitas, – a quem já dediquei um post neste blog – no videoclipe da canção Il Dolce Suono, trecho da ópera Lucia di Lammermoor, do compositor italiano Gaetano Donizetti. Mas, como convencional não é um adjetivo aplicável a essas artistas, tiveram elas a iniciativa de mesclar as composições clássicas e as percussões eletrônicas, ainda que estas últimas não prevalecessem sobre o som das cordas.

Para os admiradores mais conservadores da música clássica, porém, é inadmissível “macular” a perfeição da composição original com sons modernos que nada têm a ver com o classicismo musical. Tal opinião, entretanto, não é compartilhada com aqueles que aplaudem freneticamente as performances da dupla nem com todos que têm a música clássica como trabalho ou hobby. Alguns até elogiam a iniciativa de criar versões modernas para estas composições e a maestria com que unem elementos de espécies tão distintas.

À segunda vista, somos capazes de notar como os violinos parecem funcionar como uma extensão de seus corpos – requisito fundamental para ser considerado um bom musicista segundo os professores de música. Deixamos de enxergá-las como modelos de “lingerie” a quem foram dados violinos e passamos a vê-las como violinistas que foram vestidas como modelos de “underwear” feminina.

Sem mais delongas, apresento-vos abaixo o site oficial seguido de um vídeo da dupla executando um trecho de “As Quatro Estações” (Vivaldi).

– Site Oficial –

* * *

Bom Proveito!

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Uma resposta to “Vibracia”

Trackbacks/Pingbacks

  1. Leeloo e Plavalaguna « He's So Unusual - 10 de dezembro de 2010

    […] material dum trabalho do contra tenor letão Vitas, em parceria com a dupla de violinistas russas Vibracia, ambos temas anteriores de textos do […]

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