Archive | outubro, 2010

A Cowboy Needs a Horse

24 out

Quem não se lembra dos desenhos mais antigos da Disney Records que marcaram a infância de tantos que hoje já são adultos, pais e mães? Os episódios de Mickey e Donald eram e ainda são exibidos no Brasil por uma ou outra emissora desde a década de 60. Quem não presenciou um dos acessos de ira do Pato Donald ou uma das maluquices do Pateta e as confusões nas quais o Mickey, junto com seu inseparável cão, Pluto, se metiam?

Nos anos 90, período de minha infância, eu me gabo de ter assistido todos os episódios exibidos na TV, os quais eu suspeito datarem da década de 50 e posteriores (apesar da ótima qualidade de som e imagem) – fato que abstraio das vestes dos personagens figurantes, dos padrões arquitetônicos das casas, do formato do televisor etc.

Dentre todos os episódios exibidos, porém, alguns deles não eram estrelados pelos personagens habituais. Havia uma produção que eu muito gosto, na qual pus os olhos pela primeira vez lá pelos meus 4 ou 5 anos de  idade e que só muito recentemente tive a felicidade de encontrar na rede. Data do ano de 1956 (nem minha mãe era nascida ainda). Provavelmente as crianças de hoje não apreciariam nem dariam muita atenção à história do menino Johnny, que vivia numa grande cidade e toda noite sonhava que era um cowboy benfeitor.

A animação chama-se “A Cowboy Needs a Horse” (Um Cowboy Precisa de um Cavalo) e os créditos pela direção do “cartoon” pertencem a Bill Justice, que soube combinar perfeitamente os elementos componentes, de modo a formar essa obra única que remete à certa melancolia, nos cria um repentino desejo de aventuras não vividas e saudades dos inocentes anos iniciais de nossas vidas.

Cada parte é imprescindível para a perfeição do todo. Os traços tão característicos do estilo da época, as cores, as formas e até os brinquedos espalhados pelo chão do quarto do menino evocam em nós certo efeito nostálgico. Mas nenhum componente, nenhum elemento, nenhuma parte supera em nostalgia a música, a canção homônima de autoria de Paul Mason Howard e Billy Mills, tão “old-fashioned”, com as vozes em uníssono e sonoridade que nos parece advinda de um disco de vinil executado em uma daquelas antigas vitrolas. Lembra mesmo uma canção de ninar, mas a do tipo que você faz questão de ficar acordado para ouvir até o fim.

Tudo isso exposto, imaginem a emoção quando finalmente encontro algo que tenho procurado há anos. Eu não cheguei a pular de alegria, mas fiquei bastante inquieto. Repeti inúmeras vezes o capítulo e o mostrei para alguns familiares que, não surpreendentemente, também se lembravam nitidamente do episódio.

O desenho foi compilado em várias coletâneas, dentre as quais estão “Cartoon Classics: First Series (Volume 12) – Disney’s Tall Tales”; o LD lançado no Japão, “Donald Duck Goes West”; nos Estados Unidos, dois DVDs, “Disney Treasures: Disney Raritiers – Celebrated Shorts, 1920s-1960s” e “It’s a Small World of Fun: Volume 1”. Foi ainda lançado junto com uma série de vídeos musicais da Disney, em março de 1987, sob o título “Disney Sing Along Songs: Heigh-Ho”.

Sem mais delongas, deixarei que os leitores assistam e tirem suas próprias conclusões. Disponibilizarei também a ficha técnica e a letra da  canção.

Bom Proveito!

– Ficha Técnica

***

 

A Cowboy Needs a Horse

Ridin’, ridin’ along…

Oh, a cowboy needs a horse, needs a horse, needs a horse
And he’s gotta have a rope, have a rope, have a rope
And he oughta’ have a song, have a song, have a song
If he wants to keep ridin’

Now a cowboy needs a hat, needs a hat, needs a hat
And a pair of fancy boots, fancy boots, fancy boots
And a set of shiny spurs, shiny spurs, shiny spurs
If he wants to keep ridin’

Oh, the fence is long, and the sun is hot
And the good Lord knows that a cowboy’s gotta keep
Ridin’, ridin’ along

So he gets himself a horse, and a rope, and a song
And he finds himself a hat, fancy boots, shiny spurs
And there’s nothing more he needs, or can have, or can get
If he wants to keep ridin’, ridin’ along

Spurs, shiny spurs
Boots, fancy boots
Sings a western song
Ro-oh-oh-ope
And a horse
If he wants to keep ridin’, ridin’ along…

ve a rope, have a rope, have a rope 

And he oughta’ have a song, have a song, have a song

If he wants to keep ridin’

 

Now a cowboy needs a hat, needs a hat, needs a hat

And a pair of fancy boots, fancy boots, fancy boots

And a set of shiny spurs, shiny spurs, shiny spurs

If he wants to keep ridin’

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Oh, the fence is long, and the sun is hot

And the good Lord knows that a cowboy’s gotta keep

Ridin’, ridin’ along

 

So he gets himself a horse, and a rope, and a song

And he finds himself a hat, fancy boots, shiny spurs

And there’s nothing more he needs, or can have, or can get

If he wants to keep ridin’, ridin’ along

 

Spurs, shiny spurs

Boots, fancy boots

Sings a western song

Ro-oh-oh-ope

And a horse

If he wants to keep ridin’, ridin’ along…

Vibracia

14 out

Pode ser apenas impressão minha, mas tenho notado que grande parte das cantoras do leste europeu tem uma forte tendência a mesclar sensualidade com música. Alguns vão dizer, sem dúvida, que isso é prática comum e de longa data aqui no ocidente, visto que as cantoras “pop” costumam fazer uso de elementos sensuais, como danças e gestos provocantes, letras com duplo sentido (e às vezes com um único sentido mesmo) e roupas que denotam curvas e formas nitidamente. Porém, verdade seja dita, a cultura pop atual pressupõe tais atributos e elementos sensuais ou sexualmente sugestivos – fato que se evidencia diante da constatação de que algumas cantoras, também do leste europeu, mas que se propõem a cantar pop, também assimilam tais características, como a dupla russa t.A.T.u. e a cantora ucraniana Svetlana Loboda.

É com base nisso que se contrasta uma tênue diferença entre as não referidas cantoras do leste europeu e as divas do pop ocidental. Pra começo de conversa, as leste-européias às quais me refiro não cantam pop (algumas nem cantam, na verdade) e, por isso, não podem usar o tipo musical como justificativa para o estilo performático do qual fazem uso. Em segundo lugar, apesar de darem utilidade à sensualidade (que nós, ocidentais, lhes atribuímos de tal forma que passamos a acreditar ser intrínseca àquele povo), elas não fazem dos seus dotes femininos, como uma pequena – e talvez nem tão pequena assim – parcela das artistas pop internacionais, algo que venha a suprimir o fator principal, ou seja, o talento musical. Esse fato é constatável no trabalho de uma dupla de violinistas russas, pouco conhecidas mundialmente, mas que em seu país de origem lota platéias e é ovacionada. Refiro-me às beldades chamadas Elena Kondrashova-Terentieva e Victoria Shumsky, componentes da dupla Vibracia (Вибрация, em caracteres cirílicos; Vibração, em português).

Apesar da árdua pesquisa que empreendi, foi muito difícil achar qualquer material a respeito da dupla, sobre a origem do grupo, como e quando suas integrantes se conheceram, se têm qualquer graduação no campo musical etc. A única fonte que encontrei foi o site oficial (que, diga-se de passagem, está completamente em russo). Porém, eu o transliterei através da ferramenta de tradução do Google e obtive as escassas informações que, espero, sejam o suficiente para despertar nos leitores curiosidade acerca dessas tão talentosas quanto belas artistas.

À primeira vista, a impressão que se tem é que violinos foram dados a duas modelos de “lingerie”, e estas foram postas num palco, diante de um público imenso, a quem deveriam agradar. Contra todas as expectativas, elas não dançam, não fazem gestos sexualmente sugestivos e parecem pouco preocupadas com qualquer coisa que não diga respeito à extração de perfeitas notas de seus instrumentos. A admiração pelos belos corpos das musas cede espaço ao encanto proveniente da maéstrica execução de seus violinos. Tocam desde baladas eletrônicas a obras de grande complexidade, cuja autoria pertence a compositores clássicos de grande renome – Vivaldi, por exemplo. As conheci, inclusive, através dum trabalho feito em parceria com o contra tenor letão Vitas, – a quem já dediquei um post neste blog – no videoclipe da canção Il Dolce Suono, trecho da ópera Lucia di Lammermoor, do compositor italiano Gaetano Donizetti. Mas, como convencional não é um adjetivo aplicável a essas artistas, tiveram elas a iniciativa de mesclar as composições clássicas e as percussões eletrônicas, ainda que estas últimas não prevalecessem sobre o som das cordas.

Para os admiradores mais conservadores da música clássica, porém, é inadmissível “macular” a perfeição da composição original com sons modernos que nada têm a ver com o classicismo musical. Tal opinião, entretanto, não é compartilhada com aqueles que aplaudem freneticamente as performances da dupla nem com todos que têm a música clássica como trabalho ou hobby. Alguns até elogiam a iniciativa de criar versões modernas para estas composições e a maestria com que unem elementos de espécies tão distintas.

À segunda vista, somos capazes de notar como os violinos parecem funcionar como uma extensão de seus corpos – requisito fundamental para ser considerado um bom musicista segundo os professores de música. Deixamos de enxergá-las como modelos de “lingerie” a quem foram dados violinos e passamos a vê-las como violinistas que foram vestidas como modelos de “underwear” feminina.

Sem mais delongas, apresento-vos abaixo o site oficial seguido de um vídeo da dupla executando um trecho de “As Quatro Estações” (Vivaldi).

– Site Oficial –

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Bom Proveito!