And will we ever end up together?

20 ago

Ainda me lembro como se fosse ontem a primeira vez que pus os olhos numa das melhores produções de Tim Burton, The Nightmare Before Christmas (ou O Estranho Mundo de Jack, na versão brasileira). Eu devia ter em torno de 4 ou 5 anos. Geralmente, essa animação era exibida tarde da noite na véspera de Natal. Quando o medo não superava a curiosidade ou quando eu não caía de sono, assistia até o fim. Porém, durante longos anos, esse magnífico trabalho cinematográfico deixou de ser exibido em canais abertos e, pouco a pouco, as lembranças foram adormecendo até chegar um momento em que eu nem sequer me rememorava da existência desse filme.

Entretanto, a despeito da impressão que essa pequena introdução possa passar, cinema não é a temática deste texto. Aliás, poder-se-ia dizer que é, porém não exclusivamente. A minha intenção aqui é discorrer principalmente sobre uma das faixas da incrível trilha sonora desta produção, assinada por Danny Elfman. A música a qual me refiro chama-se “Sally’s Song” (Canção da Sally) e, na dublagem original, era executada pela voz da atriz canadense Catherine O’Hara, que apesar de não ser cantora é, certamente, uma adepta da opinião de que artistas não devem se limitar apenas a uma única forma de expressão.

Esta trilha sonora, assim como o filme, data de 1993. Porém, nos últimos anos, ganhou novas versões – como em 2006, quando 11 das 20 faixas originais foram regravadas pelas vozes de alguns artistas contemporâneos, além do próprio Danny Elfman, que além de produzir, também participa como cantor. Nesta versão, a música tema da personagem Sally é interpretada pela excêntrica cantora norte-americana Fiona Apple.

Apesar de já ter conhecimento desta regravação, nunca a tinha ouvido. Nunca havia, também, escutado a voz da nova intérprete que eu só conhecia por fotos e cuja voz, a julgar pela aparência da artista, acreditava ser doce e aguda. No último fim de semana, contudo, estava a conversar com um amigo, o Beto, e, em meio à conversa, ele acabou me impelindo a escutar a versão da cantora, sob a afirmação de que sua voz enquadrava-se mais com o perfil da personagem do que a voz da última intérprete, sobre quem logo falarei e de quem sou fã assumido.

Ouvir a voz de Fiona interpretando a canção primeiramente entoada por Catherine me conduziu a uma sensação estranhamente boa. De fato, a voz tinha muito a ver com a personagem. Era depressiva, profunda, visceral, apaixonada e ao mesmo tempo grave. As antigas impressões de voz aguda e doce que eu associava a Miss Apple caíram por terra. Não que isso seja ruim, pelo contrário. É uma voz muito bonita que, em vista da gravidade de seu tom, contrasta com o suave rostinho de anjo da cantora. Se vocês prestarem bastante atenção, vão perceber que a percussão da música, no início e no fim da canção, simula, propositalmente, batidas de coração, que no meio da música são substituídas pelo som da bateria. Eu poderia passar horas relatando minha experiência auditiva, mas prefiro que os leitores tirem suas próprias conclusões. Assistam ao vídeo logo abaixo:

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No dia 30 de setembro de 2008, – cinco dias após o meu aniversário de 18 anos – sob o título “Nightmare Revisited”, foi lançado o álbum que continha as 20 faixas originais da trilha sonora, cantadas por novos artistas. Diferentemente das outras versões, Danny Elfman não é o único a assinar a produção desse álbum. Seu trabalho faz-se presente, porém apenas nas canções de abertura e encerramento. Imaginem a minha surpresa e felicidade ao descobrir que, desta vez, a Canção da Sally seria interpretada pela vocalista da banda que mais admiro desde os meus 12 anos de idade, ou seja, ninguém mais ninguém menos que Amy Lee, a líder do grupo Evanescence. Sem contar que Will Hunt, integrante da mesma banda, além de contribuir com a bateria, é também o produtor dessa versão.

Vale ressaltar que foi justamente graças a Amy Lee, anos antes, que eu lembrei-me de ter assistido e de como gostava desse filme. Em entrevistas, ela sempre dizia que “The Nightmare Before Christmas” era seu filme favorito. Motivado pela minha curiosidade, resolvi pesquisar sobre tal longa-metragem. Qual não foi o meu espanto ao dar de cara com imagens de Jack Skellington, Sally, Oogie Boogie, Doctor Finklestein, Lock, Shock, Barrel etc. Ver aquelas imagens despertou imediatamente todas as minhas lembranças do filme que havia assistido tanto tempo atrás. Mas voltemos a falar apenas da canção, para não perder o foco.

Ao contrário de Fiona Apple, Amy Lee, sim, tem uma voz doce e aguda, apesar de ser capaz de torná-la grave em função de sua vontade. Porém quem a conhece – e conhece seu trabalho – sabe que a doçura de sua voz, em contraste com os pesados arranjos de guitarra, baixo e bateria com os quais divide espaço no palco é uma de suas marcas registradas. Nunca me esqueço do comentário duma antiga professora minha de português que dizia não importar o quão pesados fossem os arranjos do início de suas canções, tão logo ela começasse a cantar, suavizaria a música.

Mas no caso de Sally’s Song não há nenhum arranjo como os das canções do Evanescence. O piano e a harpa tratam de dar à música o tom desejado e, apesar de não contar com o som do violino (o que é uma pena), como a versão de Fiona, a interpretação de Amy Lee não deixa a desejar. Em 2007, ela havia começado a estudar harpa clássica, após ter sido presenteada com o instrumento por seu marido, Josh Hartzler. O resultado dos estudos pode ser conferido no vídeo abaixo:

É interessante notar como, apesar das significativas diferenças, todas as intérpretes de Sally’s Song têm muito em comum com a personagem do filme. Determinadas características das cantoras se assemelham (ou correspondem quase que totalmente) a determinadas características da boneca de pano. Sally é a encarnação do amor e da abnegação. A admiradora secreta disposta a se sacrificar pelo bem do amado. Donzela de expressão triste, vivendo quase que sob cárcere de seu criador, Doctor Finklestein, a quem está disposta a burlar para atingir seus objetivos de perdida apaixonada. Sua paixão, entretanto, não ofusca sua razão, através da qual apela a Jack pelo bom senso. Paradoxalmente, seu vasto conhecimento acerca de ervas e poções contrasta com seu estereótipo de garota americana recatada (exteriormente puritana e interiormente evoluída). Seu lado depressivo certamente lembra tanto Amy Lee quanto Fiona Apple, mas só a última tem a mesma cabeleira ruiva.

Enfim, espero que os leitores apreciem ambas as versões e sintam-se a vontade para expor suas opiniões acerca do que foi acima explicitado.

Antes de ir embora, gostaria apenas de informar que na edição japonesa do Nightmare Revisited, há uma faixa bônus. Trata-se duma outra versão de Sally’s Song, cantada em japonês por Scott Murphy, vocalista da banda norte-americana de pop punk, Allister. Mesmo cantada em japonês, por uma voz masculina e com um ritmo muito mais agitado, a canção não perde seu encanto:

Bom Proveito!

P.S O título do texto é um verso extraído da canção. Vernaculamente pode ser traduzido como “Será que um dia ficaremos juntos?

And does he notice

My feelings for him?

When will he see

How much he means to me?

Sally’s Song

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2 Respostas to “And will we ever end up together?”

  1. Beto 20 de agosto de 2010 às 18:31 #

    Primeiramente, devo acentuar seu bom gosto musical, vide suas postagens anteriores, e culminando nesta aqui que é sem dúvida uma das minhas canções de amor favorita, mesmo se tratando de uma animação quase infantil, a carga emocional da composição é incrível. Sou suspeito demais pra falar sobre a Fiona, ou mesmo a Amy Lee, mas amo apaixonadamente esta canção, que foi incrivelmente analisada por sua pessoa. Mais uma vez, meus parabéns, vou escutar a versão em japonês pra ver como é.

    p.s. Respondendo a questão levantada no Título: No, I think not, it’s never to become, for I am not “The One”!♥

  2. Aibell 21 de dezembro de 2010 às 21:34 #

    A Amy também foi responsável por me lembrar da existência de O Estranho Mundo de Jack! Amei seu blog. Voltarei mais vezes!

    Beijos!

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