It fills my head up and gets louder and louder…

15 ago

Não há frase que melhor descreva o sentimento de preenchimento que me ocorre ao ouvir Florence Welch entoar suas peculiares canções na compainha dos talentosos músicos que com ela formam a denominação Florence and the Machine (ou Florence + the Machine). Aliás, peculiaridade é um substantivo que se associa perfeitamente com a cantora. Não apenas pela radiante cor ruiva dos seus cabelos ou por seus profundos olhos azuis, muito menos pelas roupas pouco convencionais (apesar da bem sucedida intenção de exprimir idéias e emoções também estilisticamente) ou por seus videoclipes ao mesmo tempo românticos e surreais. Mas antes de tudo pelos fatores que musicalmente nos interessam, o principal: sua voz e suas canções.

Pra mim é realmente difícil representar em palavras a magnificência que é a voz dessa britânica de quase 24 anos de idade e cujo nome completo, Florence Leontine Mary Welch, soa intencionalmente poético – suposição advinda do fato de que sua mãe é uma estudiosa do Renascimento e professora acadêmica e seu pai um escritor. O resultado do que começa em seus pulmões (e que fique claro que essa palavra se faz constantemente presente em suas canções, seja homônima, sinônima, parônima ou derivadamente, bem como é este o próprio nome de seu álbum) e é expresso audivelmente na forma de suaves notas vocais, certamente supera em beleza os acordes da lira do mitológico Orfeu ou a capacidade hipnotizante exercida pelas notas do não menos mitológico Flautista de Hamelin. Sua voz suave adequa-se divinamente ao tipo musical que se propõe a cantar. E isso nos leva ao segundo fator, suas canções. Em ambos os elementos, – letra e ritmo – suas músicas são indescritivelmente belas e dum extremo bom gosto.

Verdade seja dita, Florence é uma das poucas artistas que conseguem falar de amor ou de dependência emocional e sentimental sem parecer piegas. Há, em seu trabalho, as medidas certas de desejo e desapego, do raro e do ordinário. É ao mesmo tempo cristão e pagão, elementos que se abraçam e que se repelem ritmicamente para formar o som característico que lhe conferiu premiações no 2009 BRIT Awards, no Studio8 Media International Music Award, no UK Festival Awards 2009, no South Bank Show, no 2010 BRIT Awards, no Meteor Ireland Music Award e no Elle Style Awards. Porém esses são apenas os eventos nos quais foi premiada. Se eu fosse citar todas as premiações para as quais foi indicada, a lista seria muito maior, não se esquecendo que falamos duma artista que tem apenas pouco mais de um ano de estrada.

Apesar de não ser tão popular aqui quanto na Europa (como a maioria dos artistas a quem dedico escritos neste blog), Florence certamente usufrui dum certo status entre os admiradores da boa música, e para o relativo pouco tempo neste ramo (seu primeiro álbum – o qual ainda não foi sucedido – data de julho de 2009), ela tem um grande número de fãs. Sem contar que algumas seletas emissoras de rádio brasileiras tocam sua música. Basta dar uma olhada no número de usuários presente em sua maior comunidade brasileira no orkut e saberão do que estou falando.

Eu acompanho a trajetória da londrina e seu grupo praticamente desde o início. A conheci por puro acaso (o que não é raro) quando assistia no YouTube a um vídeo cujo conteúdo não me rememoro. Na parte superior direita havia um pequeno anúncio do lançamento de seu primeiro álbum. Como sou muito suscetível a influências visuais, fui atraído pela imagem duma mulher radiantemente ruiva, com uma expressão ao mesmo tempo soturna e convidativa, e com as palmas das mãos voltadas para cima, ao lado de seu rosto, cobertas com pedaços dum material dourado o qual eu não consegui identificar. O deleite visual só foi superado pelo auditivo, tão logo passei a assistir ao videoclipe de seu primeiro single, Dog Days Are Over. Depois deste veio o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto e finalmente o sexto e ultimo single do álbum em questão foi lançado em meados de 2010.

Antes de me despedir, gostaria de dizer que para escolher o vídeo com o qual finalizarei este texto, tive extrema dificuldade, em vista do fato de que os graus de preferência que tenho por cada música não necessariamente correspondem aos graus de preferência que tenho pelos vídeos. Mas depois de pensar um pouco, resolvi optar pelo meu vídeo favorito, pois neste o sotaque britânico demonstra-se mais evidente e os paradoxos (cristão e pagão, por exemplo) encontram-se mais visíveis, além do fato de que toda a produção conta com uma dança maestricamente executada por Florence e por suas acompanhantes. Não deixem de reparar nos detalhes.

Ah, e antes que me esqueça, para não perder a prática, alguns links úteis.

Site Oficial . Biografia (Inglês) . Biografia (Português) . MySpace . Comunidade (Orkut) . Grupo (Facebook)


Bom Proveito!

P.S O título do texto é um trecho extraído da mesma música cantada no vídeo acima. A tradução é: “Preenche minha cabeça e vai ficando cada vez mais alto”.

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Uma resposta to “It fills my head up and gets louder and louder…”

  1. isadora barreto 19 de agosto de 2010 às 3:51 #

    Muito bom saber que tem mais pessoas que admiram o talento da Florence. Muito bem escrito e bem feito seu texto. Está de parabéns! Bjos, Isadora!

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