Arquivo | julho, 2010

Vitas

28 jul

Vitaliy Vladasovich Grachyov, mais conhecido pela abreviação de seu primeiro nome, Vitas (Витас, em caracteres cirílicos), é um cantor, compositor, ator e design de moda nascido na Letônia. Porém, foi no campo musical, definitivamente, que ele obteve maior destaque e sucesso. Sua música (que vai do pop à ópera), unida a sua performance estonteante, torna-o um artista único, original.

Sua primeira aparição se deu num programa de TV da Rússia com o hit Opera #2, no qual mostrou pela primeira vez seu talento como contra tenor. A partir daí começou a adquirir cada fez mais fama e, até hoje, ele é o artista mais jovem a se apresentar no State Kremlin Palace.

Certamente a maioria de vocês, leitores, jamais ouviu falar dele, ou se ouviu, muito vagamente. Mas garanto-lhes que a pouca fama que o cantor tem por aqui (devido tanto ao desinteresse do povo brasileiro por esse estilo musical, quanto à falta de divulgação de seu trabalho por aqui) é compensada pela quase adoração da qual é alvo em diversos países, onde lota platéias. Rússia, Austrália, Estados Unidos, Canadá, Israel, Alemanha, Cazaquistão, Lituânia, Letônia, Estônia, Geórgia, Tadjiquistão, Ucrânia, Belarus, Japão, Coréia e China são os países pelos quais Vitas já passou e, em todos eles, foi muito bem recebido.

Quando falo “quase adoração”, não estou exagerando. O escultor chinês Yuefei LU, da Academia de Arte Guangzhou, fez uma escultura em tamanho família do cantor, em sua performance no videoclip do seu primeiro single Opera #2. Vai ver que é por ações como esta que o cantor de apenas 31 anos (nascido ao dia 19 de fevereiro de 1979) se auto-representa em alguns de seus trabalhos como um deus ou como um guru abençoado – para entender o que digo, assistam aos vídeos das canções Opera #1 e Blessed Guru.

Em 2006, junto com as mui belas e talentosas violinistas Elena Kondrashova-Terentieva e Victoria Shumsky, integrantes da dupla Vibracia (a quem dedicarei um post futuramente), Vitas lançou o clipe Il Dolce Suono, trecho da ópera “Lucia Di Lammermoor”, do compositor italiano Gaetano Donizetti. Neste vídeo, o cantor faz jus à fama de “Voz de Diamante” e mostra que, além de ter muito talento no campo musical, também sabe atuar divinamente. Sem contar que os efeitos especiais do clipe são muito bem trabalhados, o que torna o vídeo um deleite não só auditivo, mas também visual.

Vitas é um artista promissor e um cantor que, em pouco tempo, adquiriu sucesso a nível mundial devido a sua excentricidade e talento. Ainda há muitos lugares nos quais ele jamais esteve, mas diante do fato de que a pouca popularidade dos artistas do leste-europeu por essas bandas está deixando de ser tão pouca assim (agradeça a globalização), vamos torcer para que a voz de diamante nos alcance o mais breve possível. Como diz a frase no layout do site oficial do cantor: “Vitas, artist you have been waiting for.

Para não perder a prática, alguns links utéis:

Site Oficial . Biografia (Inglês) . Biografia (Português) . Fã-Site Americano . MySpace . Comunidade (Orkut) . Grupo (Facebook)

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Bom Proveito!

P.S Qualquer suspeita de etnocentrismo é mera impressão.

Portrait of the New American Insurgent

26 jul

Dispa-se de preconceitos meus caros amigos. Esqueçam cantores como 50 Cent, Snoop Dogg, Eminem, e todos esses “artistas” cujas canções e clipes não mostram outra coisa senão mulheres semi-nuas rebolando ou homens no estilo “Mamãe, quero ir para a cadeia”.

O grupo que agora lhes apresento é uma banda alternativa norte-americana que mescla características do rock e do jazz, tem o rap como elemento principal e contam até com uma garota que toca viola clássica e um trompetista. As rimas rápidas (características do rap) dos MC’s James Laurie (Jonny 5) e Brer Rabbit dividem espaço com os suaves acordes da viola de Mackenzie Roberts, para dar origem ao som tão característico dos “Flobots”. Além destes músicos, o grupo conta ainda com o talento de Jesse Walker (baixista), Andy Guerrero (guitarrista), Joe Ferrone (trompetista) e Kenny Ortiz (baterista). É diferente de tudo que você já viu ou ouviu.

Conheci essa banda por puro acaso quando, conversando com um amigo, este me perguntou que tipo de música eu gostava. Eu listei uma infinidade de tipos musicais, e ele preferiu me perguntar que tipo de música eu não gostava. Ao que respondi que não tinha muita afinidade com o rap. Disse-me ele então que mudaria meu modo de pensar. Eu cheguei a imaginar que ele usaria de hipnose, pois eu achava que esse era o único modo de alguém me fazer gostar daquele estilo musical. Mas simplesmente me mostrou o videoclip do primeiro “single” do grupo, “Handlebars”. Sim, eu estava hipnotizado, não pelo meu amigo, mas pela própria banda. Eu havia esquecido que artistas do rap não se comportavam necessariamente da mesma forma que cantores de hip-hop.  Aliás, rap e hip-hop são estilos bastante diferentes, apesar do hábito que temos de igualá-los. Na verdade, assistir aquele vídeo me lembrou que a verdadeira essência do rap está justamente na insatisfação, na revolta, no protesto. E recentemente, muitas bandas têm resgatado esse antigo espírito tão característico do tipo musical em questão, a exemplo, além dos Flobots, do grupo Rage Against the Machine.

Iniciei uma árdua busca pelos álbuns do grupo e, após semanas, quando estava quase desistindo, encontrei-os. Após ouvi-los (acompanhando as letras), constatei que não era apenas a sua singularidade musical e o modo fantástico como eles mesclavam diversos estilos diferentes que os faziam tão bons. Os temas abordados por suas canções giram em torno da necessidade de “mudança” – mudança política, mudança econômica, mudança de consciência etc. Cada frase, cada palavra, cada letra está encharcada de críticas, de protestos, de manifestos. Constituem-se de pensamentos revolucionários. São mestres da ironia e do sarcasmo. Eles evidenciam os erros sociais dos quais temos consciência, ao mesmo tempo em que demonstram sua insatisfação perante a nossa egoísta indiferença. É justamente por esse motivo que eles nos convidam a tomar parte nessa “pacífica” luta por uma sociedade mais justa, pregando a união e a educação como as maiores armas.

Para os interessados, alguns links úteis:

Site Oficial . Biografia (Inglês) . Biografia (Português) . Twitter . MySpace . Comunidade (Orkut) . Grupo (Facebook)

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Bom Proveito!

Intelligent girls are more depressed…

25 jul


Ela possui canções cujo pessimismo ultrapassa o de qualquer ultra-romântico. O suicídio e o assassinato são alguns dos temas mais constantemente abordados em sua obra. Sua maquiagem quase chega a ser tão excêntrica quanto a de Marilyn Manson. De quem eu estou falando? Ninguém mais, ninguém menos do que o poço de genialidade de cabelo cor de rosa, Emilie Autumn.

A garota – que começou a tocar violino aos quatro anos e freqüentou conservatórios por todo o mundo, estudando como musicista, regente, compositora e historiadora musical – nasceu em Malibu, Califórnia, ao dia 22 de setembro de 1979. E hoje, aos 30 anos, é a princesa do estilo denominado Victorian Industrial.

Quando digo que a moça é um poço de genialidade, não estou exagerando. Além do vasto talento musical – pois, além das graduações musicais acima citadas, ela toca viola, viola “de gamba”, piano, espineta, e violino, é claro – a moça também é poeta e admiradora assumida da literatura feminista de Shakespeare. Até já se arriscou como atriz, ao fazer uma participação num videoclipe da banda alemã Die Warzau, na qual mostra também seus dotes físicos.

Seu primeiro contrato com uma gravadora veio aos 17 anos, com o lançamento do álbum On a Day…, puramente instrumental. Porém, ganhou mais popularidade quando, aderindo ao estilo “fada” e se utilizando de elementos da cultura celta, lançou Enchant, aos 22 anos. Não é o primeiro álbum no qual Emilie canta. Porém, os três anteriores, dois dos quais continham tanto músicas instrumentais quanto cantadas, apresentavam a mesma linha cultural e estilística da Idade Média ou do Período Barroco, dos quais a cantora também é adepta. Na Era Enchant, a “Fada” interpretada por Autumn, com sua lírica voz, conta histórias de chamados vindos do céu e torres escaladas pelas tranças duma donzela.

Entretanto, a fama a nível mundial só se deu com o lançamento do álbum Opheliac, de 2006, devido ao qual a cantora ficou conhecida de uma vez por todas como princesa do “Victorian Industrial”, além de dar à sua música e  ao seu estilo uma leva de novos desígnios: Dark Cabaret, Synth Pop, Dark Wave etc. A partir de então, Emilie larga as asas de borboleta, deixa o cabelo lilás para trás e passa a aderir ao estilo vitoriano, mais especificanebte “Gothic Lolita” (vertente estilística surgida das vitrines de Harajuku e nome de uma de suas canções), com babados, tranças e laços, contrastando com forte maquiagem e pesados coturnos. Deixando um pouco de lado o lirismo, sua voz passa a acompanhar arranjos pesados e letras mais pessimistas e viscerais.

Até o momento, Autumn não veio ao Brasil, apesar de ter uma quantidade considerável de fãs por aqui. Mas há boatos de que vir ao nosso país está entre seus planos. Só não se sabe quando. Até lá, nos resta continuar ouvindo os oito álbuns da cantora, dentre os quais um é dedicado apenas a declamação de suas poesias (Your Sugar Sits Untouched), e os quatro EP’s, dos quais o último apresenta regravações de sucessos como Girls Just Want to Have Fun, de Cyndi Lauper, e Bohemian Rhapsody, do Queen.

Para os apreciadores da boa música, abaixo alguns links úteis.

Site Oficial . Biografia (Inglês) . Biografia (Português) . Fã-Site Americano . Twitter . MySpace . Comunidade (Orkut) . Grupo (Facebook)


Bom Proveito!

*O título deste texto é um verso extraído da canção de nome Opheliac, do álbum homônimo. A frase completa seria: “Studies show: Intelligent girls are more depressed, because they know how the world is really like”.

2NE1

24 jul

Tá aí um lado da Coréia que eu não conhecia. Música pop, danças agitadas e garotas cujas aparências se assemelham muitíssimo com os padrões ocidentais. Lógico, a influência do extremo oeste já havia chegado lá décadas atrás. Mas nunca tinha ouvido falar de nada do gênero que houvesse surgido na própria região. Achei que nesse quesito eles só importassem, não o contrário. Por isso a minha surpresa ao conhecer essa “girlband” de k-pop oriunda da Coréia do Sul. E surpresa maior foi constatar o sucesso que elas têm feito. Longe de mim ser etnocêntrico ao ponto de pensar que esse país seja incapaz de tais produções musicais. O espanto se deve ao fato de eu ter me dado conta que as garotas do 2NE1 têm feito muito mais sucesso por essas bandas do que alguns artistas europeus (e eu não preciso falar sobre a hegemonia cultural euro-norte americana).

Independente de tudo que foi acima exposto, deve se levar em consideração o imenso talento das garotas que mais parecem frágeis bonecas de porcelana, com seus rostinhos brancos imaculados, bochechas rosadas, olhos puxados e sorrisos despretensiosamente inocentes. Mas por mais jovens que pareçam, cada uma delas passou por uma longa escalada até a fama. É ainda um grupo estreante, de pouco menos de dois anos de estrada, com apenas um CD lançado, o qual rendeu quatro singles e as tornou famosas pelo mundo afora.

É possível ver Chaerin Lee, Gong Minji, Park Bom Lee e Park Sandara interpretando suas canções em clipes que, em sua maioria, são produzidos em estúdio, nos quais dançam (sensualmente, às vezes, mas nada comparado às cantoras de pop estadunidenses), lançando rimas ao estilo hip-hop, cantando refrãos facilmente memorizáveis, daquele tipo que fica dias na sua cabeça, e usando e abusando de figurinos modernos que dão às jovens garotas ares de mulheres poderosas.  Nas músicas, versos cantados em seu idioma nativo dividem espaço com outros em inglês (um inglês impecável e sem sotaque, diga-se de passagem).

Todas contribuem com iguais parcelas de seus talentos, mas, em nível de admiração, num grupo, inevitavelmente há sempre aquele (a) integrante de quem você mais gosta ou com quem mais se identifica. No meu caso, desde que vi e ouvi essa banda pela primeira vez, meus sentidos ficaram mais atentos às aparições da componente cujo sugestivo nome lhe cai perfeitamente bem, Park Bom Lee (ou apenas Bom, como é conhecida artisticamente). Aos meus ouvidos, sua voz soa mais doce que a das companheiras, assim como suas feições e expressões me parecem mais meigas. Porém, não desmereço de maneira alguma a beleza e as aptidões artísticas das outras três.

Para se ter uma idéia, as garotas são tão populares em seu país de origem que até são contratadas por agências de publicidade para serem estrelas de campanhas de marcas e grifes. Estilo heterogêneo e músicas diversas as tornam capazes de agradar garotos e garotas, por motivos diferentes, obviamente. Óbvio também o fato de ser a maior parte de seus fãs composta por adolescentes. Aqui no Brasil, CL, Minzy, Bom e Dara usufruem duma certa popularidade que se reflete na quantidade de comunidades a elas dedicadas no orkut, além do número de membros ocupantes dessas comunidades. Elas têm até um fã site brasileiro, que, em nível de estrutura, se assemelha a qualquer site oficial de artistas mais populares.

Enfim, aguardemos por uma turnê mundial. Enquanto esta não ocorre, é possível ver as performances do grupo em vídeos do youtube e não é tão difícil achar o seu álbum disponível para download. Para não perder a prática, àqueles em quem eu despertei interesse, disponíveis abaixo estão alguns links úteis.

Site Oficial . Biografia (Inglês) . Biografia (Português) . Fã Site Brasileiro . Fã-Blog Coreano (em Inglês) . Comunidade (Orkut) . Grupo (Facebook)


Bom Proveito!

Dica: Não deixem de assistir ao video clipe I Don’t Care.

A Norwegian Fairytale Comes True

22 jul

Não é mistério para ninguém que eu tenho quase um fanatismo por violinos (e violinistas). Se algum de vocês não sabia, está sabendo agora: “O violino é meu instrumento musical favorito”. E unindo a fome à vontade de comer, eu acabei conhecendo Alexander Rybak, um talentosíssimo artista nascido na Bielorrússia, mas que vive na Noruega (país o qual representou no Eurovision Song Contest 2009) desde muito pequeno. Além de tocar violino maestricamente bem, o jovem prodígio de apenas 24 anos toca piano, canta, atua e compôs a maioria das músicas de seus dois álbuns (Fairytales/2009 e No Bounderies/2010).

O talento de Rybak ficou provado de vez quando uma de suas composições – Fairytale – conferiu à Noruega o título de campeã do ESC 2009 – vale ressaltar que o grupo de pop sueco ABBA venceu esse mesmo concurso em 1974, com a canção “Waterloo”, após o qual se tornou mundialmente famoso. O engraçado é que quatro anos antes, em 2005, Rybak foi eliminado da versão norueguesa do programa Ídolos, por não agradar os jurados com sua interpretação de Your Song (canção entoada por Ewan McGregor no filme/musical Moulin Rouge).

Eu venho tentando escrever um texto sobre Alexander desde que ainda tinha o meu antigo blog (Sceptical Poet), mas por diversos motivos, desde a falta de tempo à falta de inspiração, só agora eu pude excluí-lo da minha lista de temas sobre os quais quero escrever e adicioná-lo de vez à lista de temas sobre os quais já escrevi. A verdade é que, logo quando conheço algo que me desperta interesse, tenho que imediatamente tentar esboçar um texto sobre o assunto, ou então o furor inicial vai desaparecendo com o tempo, e nada de bom poderia sair dum tema que está guardado há anos num dos porões da minha mente. É realmente uma tacada de sorte conseguir escrever este texto e me agradar dele, em vista do fato de que conheci esse artista em meados de 2009, ou seja, em torno de um ano atrás.

Estava eu me auto-induzindo a uma overdose de vídeos do contra tenor letão Vitas (sobre quem já escrevi no blog anterior e a quem pretendo novamente dedicar uma reprodução do mesmo texto no atual), quando vi um vídeo cuja figura e nome me chamaram a atenção: EUROVISION 2009 WINNER – NORWAY ALEXANDER RYBAK – e na figura havia um jovem tocando violino enquanto cantava ao microfone.  Cliquei no vídeo e para minha felicidade conheci um dos artistas mais talentosos que já havia visto interpretando Fairytale, seu primeiro single, ao vivo. Ouvir o som do violino esplendidamente tocado por um rapaz que executava uma performance ao mesmo tempo enérgica, jovial e clássica, ao lado da companhia de dança folk moderna  Frikar e acompanhado de duas lindas e doces “backing vocals” com sorrisos que se assemelham àqueles das propagandas de creme dental, me fez sentir arrepios por todo o corpo.

Naquele momento eu estava possuído. Não sabia bem por quem ou por que, mas sabia que estava. Eu precisei de um tempo para digerir todo o talento e esplendor que havia preenchido meus sentidos até as bordas. E tão logo voltei ao meu estado normal, tratei logo de ver e rever inúmeras vezes o mesmo vídeo, para captar cada milésimo de segundo da apresentação. Depois fui à procura de outros vídeos do mesmo artista. Encontrei, além do vídeo da apresentação após a vitória, o vídeo da apresentação por ocasião ainda da competição, entrevistas, aparições em programas de TV, o vídeo da já referida participação no programa Ídolos e muitos outros.

Logo depois de ter vencido o ESC 2009, Rybak gravou seu primeiro disco – Fairytales (o qual tratei logo de baixar, claro), foi convidado para dublar um dos personagens da animação “Como Treinar o Seu Dragão” (How to Train Your Dragon), nas versões norueguesa e russa, e interpretou o personagem Levi, no filme norueguês chamado “Yohan – Barnevandrer” ou Yohan – The Child Wanderer*, em inglês.

Em minha opinião (de leigo, deve ser dito), Alexander é um dos pouquíssimos artistas que conseguem misturar o pop e o clássico e não transformar as canções em aberrações híbridas. E é justamente por isso que ele consegue agradar públicos de todas as idades e gostos. O fato de ele cantar em inglês permitiu que sua música se tornasse mundialmente popular e, aqui no Brasil, Rybak tem um número considerável de fãs. Sua comunidade no Orkut tem cerca de 400 membros – um número grande se levarmos em consideração a popularidade (entenda-se “a falta de popularidade”) que os artistas do norte e do leste europeu têm por aqui (em contraste com a adoração da qual é alvo na Europa – principalmente por garotas que tentam puxá-lo quando ele se aproxima da platéia durante um concerto).

Enfim, eu espero ter despertado nos leitores o mínimo de curiosidade a respeito deste talentosíssimo norueguês/bielorrusso e que todos apreciem o talento desse artista multifacetado que ainda tem muito a oferecer ao mundo da música.

Para aqueles que se sentiram tentados a conhecê-lo, aqui vão alguns links úteis:

Site Oficial . Biografia (Inglês) . Biografia (Português) . Fã-site InternacionalFã-blog Romeno . MySpace . Twitter . Canal (Youtube) . Comunidade (Orkut) . Comunidade (Facebook)


Bom Proveito!

*Ainda que não tenha sido traduzido para o português, creio que o título do filme poderia ser interpretado como “Yohan – O Menino Errante”.

Cyndi

19 jul


Década de 80, época das cores fortes, das calças de cintura alta e dos últimos resquícios da terrível guerra fria. Época de estrelas da música como David Bowie, Bruce Springsteen, o falecido Michael Jackson, Whitney Houston e, por que não, Kylie Minogue (pois é, gente). Filmes como Karatê Kid, Curtindo a Vida Adoidado e O Feitiço de Áquila, lançaram atores como Ralph Macchio, Matthew Broderick, Michelle Pfeiffer, entre outros. E foi justamente nesse período que desabrochou Cynthia Ann Stephanie Lauper Thornton, mais conhecida apenas como Cyndi Lauper.

Pra ser sincero eu não vivenciei esse tempo. Nasci junto com a década de 90, quando as cinturas na boca do estômago já estavam saindo de moda e o muro de Berlim já fazia um ano de derrubado. Porém, conviver com irmãos mais velhos que nasceram nos anos de 79 e 82, involuntariamente me levaram a ouvir (de bom grado) a queridinha dos adolescentes da década anterior, com suas madeixas de cores fortes e chamativas, penteados malucos, roupas fora dos padrões, acessórios aos montes, e maquiagem nada convencional. Obviamente, não poderia deixar de falar do principal, sua voz e suas canções. Misturando seu timbre agudo e forte com um estilo musical que era ao mesmo tempo pop, rock, dance e new wave, Cyndi logo conseguiu emplacar suas músicas nas paradas de sucesso mundiais.

Lembro-me que a primeira vez que ouvi a Lauper, eu devia ter em torno de 5 anos de idade. Foi quando, numa viagem a Feira de Santana (a segunda maior cidade da Bahia), meus irmãos compraram o vinil de Twelve Deadly Cyns… and Then Some, de 1994. A capa de cor vermelha em tom vinho, em contraste com os louros e radiantes fios da cabeleira de Cyndi, logo me chamou a atenção. Antes disso, havia a visto uma ou duas vezes na péssima recepção de imagem da MTV.  É tão gostoso e ao mesmo tempo tão nostálgico lembrar-me duma época em que mesmo não sabendo falar uma palavra do inglês, além dos clássicos “I Love You” e “Goodbye”, cantávamos de qualquer jeito, dançávamos e, principalmente, nos divertíamos ao som de Girls Just Wanna Have Fun, She Bop e Time After Time.

Durante longos anos, após a chegada dos modernos CD e DVD players, os nossos discos de vinil, dentre os quais se incluía o da Cyndi, ficaram guardados, acumulando poeira em uma de nossas caixas, tão logo nosso querido toca discos quebrou irreversivelmente. O mercado da música foi lançando massivamente novos nomes, grandes sucessos, topos da Billboard, e os cantores antigos foram ficando para trás. Alguns poucos, como o já citado Michael Jackson e Madonna, conservaram a fama ao inovarem a cada novo lançamento. A Cyndi continuou sua produção musical, mas não com o mesmo sucesso de outrora, apenas conservando os antigos fãs, que a essa altura já são pais e mães, e ganhando uns novos, dia após dia.

Porém, vasculhando em meio ao tédio das férias recém-chegadas qualquer coisa que pudesse me proporcionar um pouco de diversão, achei o clipe de Girls Just Wanna Have Fun, um dos maiores sucessos da Cindy, datado de 1983, e ver novamente aquele rostinho jovem e alegre fazendo caras e bocas, dançando e cantando, fez com que eu me lembrasse da velha infância (pois é, eu já tenho 19 anos) e sentir saudades duma época que, de fato, eu nunca vivi.

Decidi, então, procurar o mesmo álbum que havia ouvido anos atrás (Twelve Deadly Cyns… and Then Some), baixá-lo e me divertir como antigamente. Depois duma árdua busca, achei-o, baixei-o e hoje, dominando fluentemente a língua inglesa, ouvi todas as canções que tinha ouvido quando era um jovem garoto inocente de 5 anos de idade. No momento em que as ouvi, me ocorreram um turbilhão de sentimentos, prazer, tristeza, nostalgia, alegria, felicidade e também saudade duma época que não volta mais, das danças que, por conveniência, não nos é mais permitido fazer, com uma irmã já casada e que mora longe e com irmãos que hoje nem ouvem mais a Cyndi.

Mas ao mesmo tempo, por fim, ouvir novamente essas músicas me fez pensar que de fato se deve aproveitar ao máximo cada momento vivido. Resumindo, “carpe diem”, colha o dia, como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. Não economize vida. Usufrua dela agora, com intensidade. Garanto-lhe que não haverá arrependimento. Pois até a própria Cyndi, mesmo depois de todos esses anos (não conto a atual idade dela porque é extremamente indelicado revelar os anos duma mulher), ainda continua aproveitando a vida, se divertindo (ou seja, “having fun”).

Se, durante todo esse meu falatório, alguém se sentiu tentado a conhecer a Cyndi (pois por mais estranho que isso possa parecer, há realmente quem não a conhece), eu disponibilizo abaixo links de alguns sites utéis.

Site Oficial . Site Oficial Brasileiro . Biografia (Inglês) . Biografia (Português) . Downloads #1 . Downloads #2


Bom Proveito!

Auto-Retrato

17 jul


Em 2008, Anderson Venício, meu então professor de gramática e redação, sugeriu à classe que escrevesse um auto-retrato, ou seja, um texto que tratasse de nossa própria identidade, que nos descrevesse. Não apenas um retrato falado de nossas características exteriores, mas antes o modo como víamos a nós mesmos, como interpretávamos nossas personalidades. Eu nunca havia feito isso em todos os meus 17 anos. Custei a fazer, fui um dos últimos. Mas acabei fazendo. Fazendo e apreciando.

O meu atual e divertidíssimo professor de Direito Constitucional, Gaspare Saraceno, italiano que possui também a nacionalidade brasileira, disse recentemente que quando escreve algo cujo resultado lhe agrada, tem o hábito de ler e reler, como uma forma de massagear o próprio ego. Disso resulta um certo deslumbramento, mais ou menos da espécie “Nossa, eu escrevi isso?” – e deste deslumbramento acabam surgindo alguns auto-elogios.

Depois que ele disse isso, eu me dei conta de que eu era exatamente igual. Principalmente nos últimos meses, durante os quais passei por um bloqueio por conta do qual não conseguia escrever mais que dez linhas sobre qualquer assunto. E assim, sempre que conseguia escrever algo bom, eu sentia, mesmo lutando contra, um certo orgulho de mim mesmo.

Foi exatamente isso que senti dois anos atrás quando terminei o pequeno trabalho sugerido pelo meu antigo professor de redação. Gostaria de compartilhá-lo agora com vocês. Quero também, se possível, que me dêem a sua sincera opinião acerca do que vão ler. E, pra encerrar esse falatório e partirmos logo para o texto em questão, é preciso que saibam que o texto original sofreu modificações e adaptações. Coisas mínimas, como, por exemplo, a mudança de “17 anos” para 19. Ah! E foi escrito em 3ª pessoa.

Boa leitura!

Abre Aspa

Leonardo Alves, 19 anos, alienado, falastrão, aspirante a palhaço, às vezes poeta, considerado por 90% dos seus conhecidos como chato e extremamente pessimista.

Construtor de sonhos e destruidor dos mesmos. Pretende ser qualquer coisa que lhe confira status e estabilidade financeira, de modo a poder se dar a luxos como aprender a tocar violino (prioridade) e morar nos Estados Unidos, Europa ou Japão.

Dos 13 aos 17 anos tentou montar uma banda de rock da qual ele seria o vocalista (o que torna esse sonho impossível, pois sua voz é pior do que a de uma “taquara rachada”). Composições ele tem aos montes. Só falta dar-lhes melodia.

Sofre de déficit de atenção (mesmo estando parado, quieto, aparentemente ouvindo, as palavras lhe penetram o cérebro aleatoriamente, se misturando com o turbilhão de pensamentos que já habitam sua cabeça, criando um misto de confusão e desentendimento) e também de depressão (vez ou outra ainda tem uma daquelas recaídas violentas). Os motivos? Poderia escrever um livro listando todos eles.

Houve épocas em que só ficava satisfeito quando fosse o centro das atenções. Porém, hoje, a situação é inversa. Acabou se dando conta de que passar despercebido é a melhor forma de sobreviver sem muitos machucados.

Sobre sua aparência física, contra a opinião geral, crê de pés juntos que está acima do peso, e cada dia é uma batalha épica contra a vontade de se entregar às tentações do paladar e, posteriormente, contra a frustração de ter se rendido tão facilmente (o pior é que quanto ele menos come, mais engorda). Não é alto, tem estatura mediana, acho. Jamais teve a pretensão de se dizer bonito (ou sequer de pensar). Cabelos crespos, mantendo-os constantemente raspados, bochechas volumosas, nariz empinado, olhos castanhos escuros, usuário de aparelho ortodôntico etc.

Gosta de pop, rock, música clássica, industrial, e uma gama de outros estilos musicais que a maioria das pessoas desconhece.

Se um literato o conhecesse profundamente, diria que ele nasceu no século errado. Creio que devido a essas características não muito bem-vindas na sociedade atual.

Ateu e apolítico, seu humor varia com mais freqüência do que as fases da lua.

Ama aos bocados, mas nunca teve muita sorte quanto a ser amado. Não nutre ódio por ninguém, e mesmo que quisesse, não conseguiria. Disse uma vez certo personagem de A Sombra do Vento*: “Detestar é, de fato, um talento que se aprende com os anos”.

Basicamente, existem seis tipos de pessoas com quem evita conviver. São elas: pessoas efusivas, falsas, violentas, que não cumprem suas promessas, ignorantes e indiscretas. Bem, isso é um tanto irônico, pois eu o conheço há anos, e sei que ele mesmo é, às vezes, um tanto efusivo, e em certas ocasiões, deixa de cumprir suas promessas. Este último fator o levou a, ao menos, tentar não prometer mais nada. Mas escute bem, eu disse tentar. Isso porque de vez em quando se vê obrigado a fazê-lo, devido a árdua insistência de algumas pessoas (o que fez com que acrescentasse mais uma categoria ao grupo de pessoas com as quais evita conviver, os insistentes).

Antes de partir para o fim, é preciso relatar mais um traço da sua personalidade. Hoje não tão evidente, mas em ocasiões passadas quase se confundia com a totalidade de sua identidade (exagero). Se o ponto de vista adotado for o estrangeirismo, pode-se dizer que ele é um indivíduo culturalmente ativo. Nutre quase que uma adoração por artistas internacionais, gibis, mangás e animes. Mesmo com as constantes pressões acadêmicas, vez ou outra escuta suas, digamos, inspirações: “Evanescence”, “My Chemical Romance”, Emilie Autumn, Alanis Morissette etc.

No fim das contas, com o perdão da cantora, diria Björk que ele é só uma fonte de sangue no formato dum rapaz (adaptado de Bachelorette”).

Obrigado pela atenção.

Fecha Aspa

* O quadro no início do post chama-se Hylas and the Nymphs, foi pintado por John William Waterhouse em 1896.